Backrooms: Um Não-Lugar possui uma boa atmosfera de tensão, mas se perde em um didatismo desnecessário!
Sim, eles estão cada vez mais presentes nas telas, os universos nascidos na internet. Em sua maioria, de lendas urbanas e creepypastas famosas, que com suas estéticas analógicas, marcaram o imaginário do terror digital contemporâneo. Slender Man, Five Nights at Freddy’s, são alguns dos conceitos transportados em produções que buscavam transmitir um pouco do que o medo do desconhecido representa (Não que sejam assertivos nisso), e agora, é a vez do labirinto de salas amarelas também deixar a sua história ser contada.
Desta forma, Backrooms: Um Não-Lugar possui uma boa atmosfera de tensão, mas se perde em um didatismo desnecessário! Ao contar como os personagens ficaram presos nesse limiar, passando pela exploração de seus níveis, o longa trabalha com muita assertividade e competência o uso do found footage, mas o mesmo não pode ser dito de seu ritmo após a metade de sua exibição, e de uma narrativa que procura justificar seus conceitos com explicações exageradas. O resultado é um filme feito para o público atual que carece e muito de aprender o que é interpretação de texto e quer apenas consumir tudo mastigado. Já para os mais atentos, a sensação é que algo faltou, algo não está certo, pois se o mistério original é o que torna o conceito tão assustador na internet, o longa deveria seguir essa mesma premissa!
Fale mais sobre isso
Clark é um arquiteto frustrado, dono de uma loja de móveis falida. Sua vida não vai nada bem, abandonado pela esposa e sem casa, ele acaba por apenas dividir seus momentos durante as conversas com sua terapeuta Mary. Porém, quando Clark descobre uma passagem no andar de baixo de sua loja para um local desconhecido, a curiosidade e o medo do que pode vir a ser encontrado desperta nele uma fixação pelo local, que poderá levar a consequências mortais.
Atmosférico, mas perdido
Kane Parsons comanda a produção que foi cercada de expectativas pela comunidade da internet. Desde a transposição dos labirintos digitais para as telas, até a necessidade de criar um enredo palpável para os cinemas. Ou seja, a equipe precisou fazer um grande esforço para trazer essa ambientação à tona.
O fato é que a direção se esforça para dar ao filme um ritmo cativante e assustador no início, abordando o pavor dos cenários através de uma câmera em primeira pessoa que funciona muito bem para gerar angústia.
Se o ambiente é vazio, o silêncio quebrado pelo zumbido das lâmpadas, sons de passos, ranger de móveis, justifica esse ponto.
Porém, as convencionalidades e as amarras de Hollywood vão ganhando cada vez mais espaço, justamente para a história detalhar demais o que deveria ser inexplicável. O roteiro tenta criar teorias científicas e motivos mirabolantes para a existência do lugar, tirando todo o peso do horror cósmico e da bizarrice da situação. Para piorar, a falta de interação entre o elenco impede que a gente se importe com o destino daqueles indivíduos em cena, tornando o drama humano tão plano quanto as paredes amarelas do cenário.
Logo, o longa quer mostrar algo ao público, mas de um jeito cansativo, repetindo informações de maneira desnecessária e demonstrando não saber como encerrar a própria trama. Compensando apenas pelo visual cru e realista que o found footage entrega no segundo ato, que é impecável em criar desconforto.
Desta forma, o resultado é um filme feito para um público que acha que nem tudo pode ter mistério e que tudo precisa se tornar um vídeo explicado do YouTube. Já para os mais atentos, a sensação é que algo faltou, algo não está certo, pois se a força de Backrooms mora no incompreensível, o seu longa deveria seguir essa mesma premissa pelo menos!

O mistério do vazio
Quando Clark adentra as Backrroms pela primeira vez, nos colocamos numa posição curiosidade e medo, onde cada novo cômodo pode reservar uma surpresa amedrontadora. Pelo menos é o primeiro pensamento que logo se esvai devido a uma construção narrativa um tanto vazia.
Ao mesmo tempo, o mistério que envolve as Backrooms, e que ainda representa o maior trunfo dessa lenda urbana, nunca precisou de respostas exatas para ser assustador, mas aqui isso é deixado de lado para abraçar um didatismo que torna boa parte do longa quase que desnecessária.
Desta forma, a grandeza do conceito original não é bem aplicada ao longo de um roteiro a que carece de um ritmo que mantenha o suspensa, e o terror, no mesmo nível. Com isso, temos uma repetição exaustiva de conceitos que simplesmente quebram o clímax da produção, através de diálogos subestimam a inteligência de quem assiste, sem contar com momentos que se repetem para mostrar algo que já sabemos.
Logo, o filme acaba perdendo a direção quando muda completamente a personalidade de um dos protagonistas sem que isso seja construído de forma assertiva em tela. Muito menos, se preocupa (e aqui sim) em trazer uma explicação de como aquilo sucedeu de um ponto a outro. Simplesmente a narrativa quer que você aceite o que está acontecendo pelo misancene, e por mais que tenhamos o melhor momento de atuação do longa aqui, tudo se perde novamente com a inserção de uma ameaça que não causa o efeito pretendido!
A sensação ao final é que o filme do “Não Lugar” poderia ser muito mais, porém o caminho escolhido nem se compara ao peso do mistério que ele representa na cultura digital!

E vale o ingresso?
Backrooms: Um Não-Lugar possui uma boa atmosfera de tensão, mas se perde em um didatismo desnecessário! Ao usar o found footage para capturar a essência visual dos corredores infinitos, o longa trabalha com muita assertividade os momentos de puro suspense, mas o mesmo não pode ser dito de seu ritmo, prejudicado por um roteiro que se perde ao tentar explicar demais.
O resultado é um filme feito para quem não se importa com narrativas repetitivas e quer apenas ver a tradução visual da creepypasta nas telas. Já para os mais atentos, fica evidente que o excesso de explicações tirou o brilho da obra, deixando claro que certas produções funcionam melhor quando mantêm suas respostas no escuro!
Backrooms: Um Não-Lugar está em cartaz nos cinemas!
- Veja também: Crítica de O Mandaloriano e Grogu
Backrooms: Um Não-Lugar possui uma boa atmosfera de tensão, mas se perde em um didatismo desnecessário! Ao usar o found footage para capturar a essência visual dos corredores infinitos, o longa trabalha com muita assertividade os momentos de puro suspense, mas o mesmo não pode ser dito de seu ritmo, prejudicado por um roteiro que se perde ao tentar explicar demais.
