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    A Morte do Demônio: Em Chamas | Crítica

    Ronald AquinoBy Ronald Aquino10/07/2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    “A Morte do Demônio: Em Chamas” é sangrento, imparável e um dos grandes filmes de terror do ano!

    É fato que Sam Raimi criou uma das franquias mais adoradas no mundo do terror, começando com um clássico, marco dos efeitos práticos, em 1981, com “Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio“, rendendo duas outras sequências, nos anos 1987 e 1992.

    Em 2013, Fede Alvarez (de Alien: Romulus, 2024) reboota a história, em “A Morte do Demônio“, trazendo um pouco mais – bem mais – de violência para a história dos amigos sendo perseguidos por possessos após lerem palavras proibidas do Necronomicon (Livro dos Mortos). Lee Cronin (de A Maldição da Múmia, 2026), em 2023, leva a maldição para um prédio em Los Angeles, e coloca a entidade para atormentar uma pequena família, com “A Morte do Demônio: A Ascensão“.

    E não tão distante da temática familiar, nesse ano vemos Sébastien Vaniček (de Infestação, 2023) à frente de “Evil Dead Burn“, novo capítulo que promete ser mais intenso e fazer jus aos projetos anteriores.

    Hunter Doohan em cena de A Morte do Demônio: Em Chamas, de Sébastien Vaniček
    Foto: Reprodução.

    Na história acompanhamos Alice (Souheila Yacoub) que, após a morte do marido Will (George Pullar), é convidada pelo cunhado Joseph (Hunter Doohan) a passar uns dias na casa dos sogros, Susan (Tandi Wright) e Edgar (Erroll Shand). Porém, uma força demoníaca ameaça a família, e um por um sucumbem violentamente até que uma arma poderosa seja encontrada.

    Temos aqui, certamente, um dos grandes filmes de terror do ano!

    “A Morte do Demônio: Em Chamas” não poupa esforços para ser brutal, arriscando roubar o título do seu primo de 2013 que se diz “o filme mais apavorante que você verá nesta vida“. Vaniček abusa de movimentos abruptos de câmera, sem comprometer o entendimento da cena, assim como opta, em alguns momentos, por planos longos, segurando a tensão e o desespero do seu espectador.

    A violência explícita e exagerada é uma das marcas da franquia. Porém, aqui, ela é multiplicada e beira o grotesco, no melhor sentido possível. Portanto, prepare o estômago antes da sessão: pode ser uma tesourinha de unha, uma caneta hiperfaturada, uma lava-louças ou até uma roçadeira… o resultado será sempre uma explosão de vermelho.

    Por falar em cores, a fotografia é viva e quente em vários momentos gore, e mais fria nos desenvolvimentos. Isso destaca as sequências, cria uma boa ambientação e influencia diretamente na experiência visual do espectador, causada pelo contraste. Uma das grandes vantagens de “A Morte do Demônio: Em Chamas” é a sua visibilidade. Sim… por mais que existam momentos mais escuros, ainda é possível enxergar o que acontece em cena sem precisar espremer os olhos, como vemos em um filme ou outro (nem precisa ser de terror, necessariamente).

    Souheila Yacoub em cena de A Morte do Demônio: Em Chamas, de Sébastien Vaniček

    Contudo, nem só de impacto emocional se sustenta um filme: é preciso ter substância. Felizmente, os arcos das personagens não são tão bidimensionais quanto o esperado, afinal estamos falando de uma proposta que, praticamente, desconsidera empatia excessiva por parte do espectador (no fundo… a gente assiste querendo ver as formas mirabolantes que inventaram pra matar umas pessoas desavisadas).

    A trama base do luto funciona bem e conecta satisfatoriamente bem alguns eventos e motivações apresentadas no próprio universo do filme; existe abertura para discussão de uma subtrama sobre violência doméstica; existem referências a acontecimentos anteriores, explorados em outros filmes da franquia… é até dado um pouco de tempo para expandir a mitologia ao entorno do Livro dos Mortos e um grupo secreto que fazia pesquisas sobre ele.

    Entretanto, os convencionalismos próprios do gênero ainda são muito marcantes e, em alguns momentos, é o que é usado para fazer a história de mover; ao mesmo tempo que contradizem a própria lógica interna: vejamos, por exemplo, um Deadite que precisa de alguém que lhe abra a janela para entrar na casa, logo depois de ter demonstrado uma força descomunal; ou uma personagem que não sofre com os primeiros sintomas da possessão, mesmo após ter tido contato direto por infecção com o sangue de outro Deadite.

    Cena de A Morte do Demônio: Em Chamas, de Sébastien Vaniček
    Foto: Reprodução.

    Pequenos momentos como estes suspendem o espectador e o tiram rapidamente do fluxo do filme, que, inteligentemente, logo retoma seu ritmo frenético e faz com que tais questionamentos passem quase que por despercebidos.

    Para além das referências, reboots e continuações, “A Morte do Demônio: Em Chamas” se consolida como um ótimo filme tanto para amantes da franquia, quanto para simpatizantes com o gênero. Com uma pitadinha de humor e toneladas de sangue, consegue se destacar pela inventividade da violência e da intensidade que compensa a da história, mantendo-se tão visceral, objetivo, incansável e aterrorizante quanto seus antecessores, sem se perder nas medidas.

    Aos os que gostam de esperar, o filme conta com duas cenas pós-créditos: a primeira é logo após o main-on-end credits (aqueles créditos com animações, com a equipe principal) e a segunda após os créditos finais.

    Cena de A Morte do Demônio: Em Chamas, de Sébastien Vaniček
    Foto: Reprodução.

    “A Morte do Demônio: Em Chamas” já está em cartaz em todos os cinemas do Brasil

    • Veja também: Crítica de Avatar – O Último Mestre do Ar: 2ª Temporada
    8.0 Ótimo

    A Morte do Demônio: Em Chamas se consolida como um ótimo filme tanto para amantes da franquia, quanto para simpatizantes com o gênero. Com uma pitadinha de humor e toneladas de sangue, consegue se destacar pela inventividade da violência e da intensidade que compensa a da história, mantendo-se tão visceral, objetivo, incansável e aterrorizante quanto seus antecessores, sem se perder nas medidas.

    • 8
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    Ronald Aquino
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    Estudante de Psicologia e amante de filmes auto-intitulados complicados ou com dano emocional. Recorrentemente, vê profundidade em tudo e acha que sabe o que o diretor quis dizer baseado no roteiro e na mise-en-scène. @ronaldaquinob

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