A Odisseia é um espetáculo visualmente assombroso, mas que falha em atingir a verdadeira dimensão de uma epopeia em sua totalidade!
Christopher Nolan consolidou-se como um dos diretores mais aclamados e influentes da Hollywood contemporânea. No entanto, na mesma proporção em que coleciona elogios por sua ambição estética, o cineasta atrai uma dose considerável de antipatia de setores que criticam o excesso de racionalismo em seu estilo. Diante dessa dualidade, cada novo projeto assinado por ele carrega uma carga maciça de expectativa, prometendo transportar a audiência por caminhos grandiosos e egocêntricos que somente a sua assinatura autoral é capaz de proporcionar nas telas do cinema moderno. E em sua mais nova e audaciosa empreitada, o resultado divide opiniões de maneira drástica.
Desta forma, A Odisseia é um espetáculo visualmente assombroso, mas que falha em atingir a verdadeira dimensão de uma epopeia em sua totalidade! Ao transpor o clássico poema homérico para a sua ótica cinematográfica, Nolan demonstra um domínio técnico formidável para arquitetar sequências de ação colossais e de tirar o fôlego, porém o mesmo brilhantismo não se reflete na condução dramática da obra. A insistência do roteiro em aplicar uma lógica estritamente racional a eventos de natureza puramente mitológica acaba esvaziando a carga mística e o peso emocional que deveriam sustentar a trajetória do protagonista. O saldo final é uma produção que hipnotiza os olhos pelo gigantismo e pela identidade de suas imagens, mas deixa a desejar no desenvolvimento humano e espiritual de sua narrativa.
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A trama acompanha o tortuoso caminho de Odisseu, um astuto líder guerreiro que, após o término da histórica Guerra de Troia, condena a si mesmo e a sua tripulação a um exílio forçado em mares desconhecidos. Tentando desesperadamente retornar para o seu lar no reino de Ítaca, o herói precisa liderar seus homens contra perigos incompreensíveis e provações de sobrevivência extremas. Enquanto cruza fronteiras repletas de criaturas hostis e fenômenos inexplicáveis, o protagonista enfrenta não apenas a fúria implacável da natureza, mas também os fantasmas de suas próprias decisões, em uma corrida contra o tempo para reencontrar sua família antes que seu território seja completamente tomado por invasores.
Perfeição e o deslumbre estético
Christopher Nolan comanda a produção da forma como ele sabe fazer, apostando na grandiosidade em todo tempo. Justamente pelo fato deste longa ser inteiro filmado em câmeras IMAX.
Logo, a engenharia por trás do design de produção e da direção de arte atinge um patamar de excelência difícil de contestar.
O cineasta prova, mais uma vez, que possui uma aptidão única para filmar o megalomaníaco sem permitir que a tela se transforme em algo caricato, ou cafona, principalmente por se tratar de algo que envolve deuses, seres mitológicos, e criaturas fantásticas.
Junte isso, a fotografia monumental e a construção dos cenários que são projetados para impor um senso de deslumbre contínuo. Exemplo dessa virtude reside na sequência do Ciclope, onde o diretor consegue fundir o fantástico à crueza do horror de forma visceral, enquanto as tomadas em mar aberto traduzem fisicamente a opressão daquela jornada.
Para amarrar essa atmosfera, a trilha sonora rompe completamente com as convenções dos épicos históricos tradicionais, injetando uma sonoridade eletrônica e opressiva que pulsa nas poltronas. De igual modo, a perturbadora sequência envolvendo o canto das Sereias é o ápice desse casamento técnico, gerando um transe sensorial perturbador.
Desta forma, ao transpor o clássico poema homérico para a sua ótica cinematográfica, Nolan demonstra um domínio técnico formidável para arquitetar sequências de ação colossais e de tirar o fôlego, porém o mesmo brilhantismo não se reflete na condução dramática da obra.

Racionalismo excessivo e o esvaziamento da epopeia
Verdade seja dita, o controle formal de Nonal sabota a essência poética do texto de Homero nessa adaptação.
A narrativa opta por fragmentar a jornada em blocos cronológicos que retiram a fluidez orgânica que o texto homérico pedia. Ao tentar amarrar cada provação de Odisseu a uma justificativa psicológica ou a um enigma de causa e efeito, a escrita do diretor esvazia o senso de perigo genuíno.
Os dilemas dos marinheiros e a própria degradação moral da tripulação em alto-mar passam a soar como etapas mecânicas de um experimento sociológico, em vez de uma descida dolorosa aos infernos do isolamento, ou a contestação da autoridade, seja ela do herói presente, ou dos deuses.
Assim, há uma pressa incômoda em solucionar os conflitos imediatos para saltar para o próximo grande feito visual, sacrificando o tempo de tela que deveria ser dedicado à construção do desgaste emocional do protagonista.
Essa facilitação narrativa cobra o seu preço mais alto no terço final da projeção, quando o retorno a Ítaca deveria evocar a catarse máxima da reconquista. Em vez de construir uma tensão crescente baseada na invasão de seu lar e na ruína de seu reino, o enredo opta por resoluções apressadas e soluções pragmáticas que diminuem o impacto da vingança de Odisseu.
De igual modo, as divindades gregas são rebaixadas a meras menções textuais. Vide a deusa Atena é transfigurada como uma espécie de delírio psicológico gerado pela culpa do próprio protagonista. Nisso, ao retirar os elementos de intervenção e os testes de lealdade que enriqueciam a obra original, o roteiro transforma o ápice de uma das maiores histórias de retorno da humanidade em um thriller dramaticamente esvaziado, onde a inteligência do herói parece calculada demais para gerar verdadeira empatia no espectador.
Esse descompasso também contamina o elenco.
Matt Damon e Anne Hathaway entregam atuações robustas e se esforçam ao máximo para injetar peso dramático às suas cenas. No entanto, o restante do elenco de apoio é reduzido a figuras bidimensionais que orbitam a tela como meros figurantes de luxo, entregando diálogos breves que empobrecem a rica mitologia original.
Soma-se a isso a conhecida dificuldade de Nolan em desenvolver personagens femininas com tridimensionalidade. Penélope, uma das figuras mais resilientes da literatura mundial, aqui é empurrada para uma posição estática e passiva, restando a Hathaway tentar, sem muito sucesso, trazer alguma nuance para uma figura tão limitada pelo roteiro.
O saldo final é uma produção que hipnotiza os olhos pelo gigantismo e pela identidade de suas imagens, mas deixa a desejar no desenvolvimento humano e espiritual de sua narrativa.

E vale a pena assistir?
A Odisseia é um espetáculo visualmente assombroso, mas que falha em atingir a verdadeira dimensão de uma epopeia em sua totalidade! Ao transpor o clássico poema homérico para a sua ótica cinematográfica, Nolan demonstra um domínio técnico formidável para arquitetar sequências de ação colossais e de tirar o fôlego, porém o mesmo brilhantismo não se reflete na condução dramática da obra. A insistência do roteiro em aplicar uma lógica estritamente racional a eventos de natureza puramente mitológica acaba esvaziando a carga mística e o peso emocional que deveriam sustentar a trajetória do protagonista.
O saldo final é uma produção que hipnotiza os olhos pelo gigantismo e pela identidade de suas imagens, mas deixa a desejar no desenvolvimento humano e espiritual de sua narrativa.
No balanço do navio de Odisseu, a obra consagra-se como um monumento técnico inquestionável, mas que se esquece de que, para além dos olhos vidrados na tela, um clássico eterno precisa comover a alma!
A Odisseia está em cartaz nos cinemas.
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A Odisseia é um espetáculo visualmente assombroso, mas que falha em atingir a verdadeira dimensão de uma epopeia em sua totalidade! Ao transpor o clássico poema homérico para a sua ótica cinematográfica, Nolan demonstra um domínio técnico formidável para arquitetar sequências de ação colossais e de tirar o fôlego, porém o mesmo brilhantismo não se reflete na condução dramática da obra.
