Com boas atuações, A Última Casa entrega entretenimento apesar da edição e roteiro não ajudarem tanto!
Filmes que fazem alusão e metáfora para o triste momento que vivemos durante a pandemia da Covid-19 continuam surgindo. A maioria tenta se apoiar no terror e nos suspense de forma fácil, misturando elementos, sem chegar a um produto final satisfatório, já outros buscam desenvolver as interações, através de uma história que cresce usando ideias que remetem a época, de forma criativa e capaz de capturar a atenção de quem assiste. Logo, a obra da vez fica entre essas duas proposições.
Desta forma, com boas atuações, A Última Casa entrega entretenimento apesar da edição e roteiro não ajudarem tanto. Este é um longa que possui uma ótima ideia, mas que derrapa ao tentar explicar, ou entregar conceitos que não sustentam a narrativa, que procura em vários momentos incluir diferentes aspectos, de diferentes gêneros, perdendo força e ritmo, mas que é salvo pelas atuações de Wagner Moura e Greta Lee. O resultado está longe de um desastre completo, porém o que era para ser criativo se vê submerso por clichês que não contribuem para tornar o medo do desconhecido em algo que realmente nos importamos! A Última Casa então sofre com a pressa de acertar, com a ansiedade ser misterioso, e com a velocidade em que toda a criatividade inicial fica pelo caminho.
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Era um dia comum para a família de Jason e Riley, com direito a uma chuva torrencial. Logo, eles percebem que algo os trancou dentro de sua própria casa. As portas não abrem, nem as janelas, nenhuma entrada consegue ser obstruída, e a vizinhança inteira passa pela mesma coisa. Assim, a família vê os dias passar dentro de casa, porém o cenário muda quando ameaças desconhecidas surgem do lado de fora tentando invadir o lugar.
Nem toda boa ideia consegue um bom resultado
Louis Leterrier comanda e escreve a produção que possui boas ideias para a mitologia e os mistérios, mas não sabe qual caminho vai percorrer para chegar até eles.
Isso fica nítido quando temos uma edição mal executada! As cenas muitas vezes parecem não se encaixar, há cortes abruptos e o clima de suspense acaba sendo finalizado rapidamente para que uma nova cena da interação familiar venha surgir. E quando tudo reinicia pautado nos enigmas, é veloz demais, sem deixar que o espectador se envolva com o que é proposto.
Ao mesmo tempo, o longa busca deixar quem assiste pensativo com o que está acontecendo e tece um caminho para revelar o que aquela família precisa enfrentar, contudo estrutura esses momentos em clichês previsíveis que já encontramos em outras obras que souberam como contar algo parecido de maneira competente, como em ‘Um Lugar Silencioso’!
O fato é que essa bagunça chega até a narrativa, que também nos revela pontos que parecem que nunca serão mencionados, ou usados na trama. E novamente, quando adentram a tela, é rápido, não deixando que desfrutemos do que foi construído até então.
Apesar disso, o entretenimento enigmático consegue o seu espaço quando temos Wagner Moura e Greta Lee em cena. A dupla de atores não apenas interage bem entre si, mas sustenta o roteiro de modo que são os únicos com quem realmente nos importamos.
Logo, A Última Casa sofre com a pressa de acertar, com a ansiedade ser misterioso, e com a velocidade em que toda a criatividade inicial fica pelo caminho.

Presos em casa e num roteiro caótico
Este é um daqueles casos em que o comando parecia não saber o que fazer com o que foi proposto inicialmente.
A obra é dividida pela passagem de tempo da família na casa e para chegar até isso vamos assistindo o desenvolvimento de ações básicas do cotidiano, de exercitar-se, até mesmo conseguir comida, já que não há como sair.
E é aqui que tudo se perde.
As boas ideias da história, dão espaço para os clichês filmes de terror e suspense que não são empregados de forma assertiva. Seja quando chegamos ao clímax da narrativa, seja pelas motivações que levam um dos personagens a realizar medidas para buscar ajuda externa.
Soa de um modo como se a produção, em certas sequências, buscava levar tudo muito a sério e em outros, estava apenas baseada no entretenimento despretensioso. Em algumas obras isso até pode funcionar, porém aqui é acompanhado por uma montagem desregular que não nos deixa mergulhar de verdade no que está sendo contado.
O que nos leva a pensar que estamos diante de uma boa história que infelizmente ficou em cárcere com um roteiro confuso.

E vale a pena assistir?
Com boas atuações, A Última Casa entrega entretenimento apesar da edição e roteiro não ajudarem tanto. Este é um longa que possui uma ótima ideia, mas que derrapa ao tentar explicar, ou entregar conceitos que não sustentam a narrativa, que procura em vários momentos incluir diferentes aspectos, de diferentes gêneros, perdendo força e ritmo, mas que é salvo pelas atuações de Wagner Moura e Greta Lee.
O resultado está longe de um desastre completo, porém o que era para ser criativo se vê submerso por clichês que não contribuem para tornar o medo do desconhecido em algo que realmente nos importamos! A Última Casa então sofre com a pressa de acertar, com a ansiedade ser misterioso, e com a velocidade em que toda a criatividade inicial fica pelo caminho.
A Última Casa está disponível na Netflix.
- Veja também: Crítica de A Leste do Palácio
Com boas atuações, A Última Casa entrega entretenimento apesar da edição e roteiro não ajudarem tanto. Este é um longa que possui uma ótima ideia, mas que derrapa ao tentar explicar, ou entregar conceitos que não sustentam a narrativa, que procura em vários momentos incluir diferentes aspectos, de diferentes gêneros, perdendo força e ritmo, mas que é salvo pelas atuações de Wagner Moura e Greta Lee.
