A Leste do Palácio entrega uma boa história e personagens que realmente nos importamos.
Tenho reparado que os doramas de que mais gosto ultimamente são justamente aqueles que fogem das comédias românticas.
E não é nem porque eu tenha cansado de romance. Mas parece que muitas produções do gênero estão cada vez mais parecidas entre si.
Curiosamente, o terror, suspense, ação, fantasia e drama histórico parecem ter encontrado mais espaço para construir personagens complexos e universos que realmente sustentam suas tramas. E A Leste do Palácio, nova produção sul-coreana da Netflix, talvez seja um dos bons exemplos disso.
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A série mistura terror sobrenatural, fantasia sombria, mistério e drama de época em uma versão fictícia da Coreia durante o período Joseon. A história começa quando o príncipe herdeiro é encontrado morto no lago próximo ao Palácio do Leste. A morte faz ressurgir uma antiga história: trinta anos antes, um espírito teria amaldiçoado o local e prometido acabar com toda a linhagem real.
É ai que surge Gu-cheon, interpretado por Nam Joo-hyuk. Esse cara, que até então estava “de boa” na vida, agora se vê tendo a missão de transitar entre o mundo dos vivos e dos mortos para acabar com a maldição.
Ao lado dele está Saeng-gang, interpretada por Roh Yoon-seo, que oficialmente vive como dama da corte, mas esconde uma história muito mais complicada. Ela é filha ilegítima do rei, cresceu dentro do palácio sem nunca ser realmente reconhecida como parte da família e nasceu com a capacidade de ouvir os mortos.
É essa dupla que conduz toda a investigação. Mas, conforme a história avança, fica cada vez mais claro que o verdadeiro problema nunca foi apenas a maldição.

O que faz essa série funcionar?
A primeira resposta seria dizer que é a história. Mas acho que, na verdade, são os personagens…
Hoje em dia é muito comum encontrar séries com uma premissa excelente e personagens que só existem para fazer a trama andar. Em A Leste do Palácio, acontece justamente o contrário. A investigação só é interessante porque você passa a se importar com quem está conduzindo ela.
Gu-cheon é um ótimo exemplo disso.
Ele poderia facilmente ser aquele protagonista sério, distante e quase invencível que aparece em praticamente toda fantasia. Em vez disso, a série faz dele alguém debochado, sarcástico e, em muitos momentos, até engraçado. Esse humor nunca quebra a atmosfera da série. Pelo contrário. Ele faz com que Gu-cheon pareça uma pessoa de verdade.
Saeng-gang também é uma personagem muito interessante.
O fato de ela ser filha do rei muda completamente a forma como enxergamos sua presença no palácio. Ela faz parte daquela família, mas nunca pôde ocupar um lugar dentro dela. Cresceu servindo pessoas que compartilham o mesmo sangue, mas sem receber o mesmo reconhecimento.
Uma outra coisas que chama muito minha atenção foi a relação entre Gu-cheon e Saeng-gang.
Apesar de a série nunca colocar o romance como prioridade, os dois têm uma química que muitas comédias românticas inteiras não conseguem construir. E o mais curioso é que eles passam a história toda sem trocar um único beijo.
Isso acontece porque a série entende que um casal não convence pelas cenas românticas, mas pela forma como os personagens se relacionam. A confiança entre eles é construída aos poucos, conforme a investigação avança, e a proximidade surge de forma tão natural que, quando você percebe, já está torcendo para que eles terminem juntos.

Vale a pena assistir?
Para mim, vale muito.
Não apenas porque a série é bonita (e ela realmente é), mas porque tudo isso está a serviço de uma história que sabe exatamente o que quer contar.
A Leste do Palácio fala sobre culpa, família, pertencimento e sobre as consequências de tentar esconder o passado. Mas também consegue fazer algo que, para mim, muitas comédias românticas recentes deixaram de fazer: construir um casal pelo qual eu realmente me importei. Saí da série querendo acompanhar mais daqueles personagens. E, sinceramente, acho que esse é um dos maiores elogios que uma história pode receber.
Agora resta torcer para que a Netflix perceba isso também e nos dê uma segunda temporada.
A Leste do Palácio está disponível na Netflix.
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A Leste do Palácio fala sobre culpa, família, pertencimento e sobre as consequências de tentar esconder o passado. Mas também consegue fazer algo que, para mim, muitas comédias românticas recentes deixaram de fazer: construir um casal pelo qual eu realmente me importei. Saí da série querendo acompanhar mais daqueles personagens. E, sinceramente, acho que esse é um dos maiores elogios que uma história pode receber.
