O novo Resident Evil é um acerto que mergulha na tensão, na experiência de emular o jogador em uma história que abraça o terror e a comédia num cenário caótico.
Adaptações dos games para os cinemas vivem num limbo onde o acerto é algo utópico! E mesmo que haja o esforço para transpor com igualdade tudo o que jogadores conhecem, muitos elementos ficam pelo caminho, fazendo com que essas produções nunca entreguem algo que se compare a experiência dos consoles. Porém, a nova empreitada de Resident Evil nos cinemas contorna o umbral das adaptações ruins e mira numa narrativa assertiva e competente (ainda que muitos torçam o nariz) acertando no que se propõe.
Desta forma, o novo Resident Evil é um acerto que mergulha na tensão, na experiência de emular o jogador em uma história que abraça o terror e a comédia num cenário caótico. Zach Cregger percorre caminhos diferentes em sua adaptação, referenciando o icônico game, mas tomando liberdade para criar uma espécie de “Conto de Raccoon City”, onde os cenários, movimentações e progressão rítmica nos fazem adentrar uma gameplay na tela de cinema. O resultado é o melhor possível, para raiva de quem ainda espera o Leon, e para sorte de quem buscava um entretenimento competente!
Fale mais sobre isso
Bryan é um entregado que trabalha na área da saúde, após um dia de trabalho intenso e pensando na possibilidade se tornar pai, o rapaz aceita uma última entrega: levar um item para o hospital de Raccoon City. Mas o que seria apenas mais uma corrida para deixar um pacote, se torna uma luta pela sobrevivência, pois a cidade em que Bryan se encontra está imersa em uma epidemia monstruosa, e mortal.
Procure equipamentos, mire, atire, corra
Zach Cregger comanda a produção sabendo em que terreno está pisando e com que tipo de fanbase está lidando. Existe um cuidado e um senso de cautela ao contar essa história que se afasta das histórias dos jogos, mas sem ignorar seus elementos.
O fato é que Cregger nos entrega uma experiência de gameplay imersiva em tela grande durante uma hora e meia de projeção!
Para isso, os ângulos de câmera nos lembram os momentos dos jogos, a fotografia sabe como transformar espaços em perfeitas armadilhas para sustos e a trilha sonora se encarrega de tornar a atmosfera de tensão em algo ainda mais palpável. O diretor não apenas quer contar a história de um game, mas proporcionar um bom filme para audiência.
Nisso, as sequências de ação e terror vão ganhando progressão, assim como o próprio personagem progride de cenários, e equipamentos, para que possa enfrentar novos desafios. E até nisso, a direção pensa na gameficação. Se um equipamento é jogado fora, ele servirá para algo depois; se a busca por uma chave era necessária e o protagonista toma outra decisão, as consequências vem logo em seguida. Esse senso de “não controle” de um personagem na nossa frente nos faz apontar para tela e questionar suas ações, de igual modo é feito quando vemos uma gameplay!
Em meio a isso, Zach Cregger toma suas liberdades em relação a infeção que se espalha na cidade, e os elementos da saga Resident Evil. Os zumbis estão lá, mas há mutações novas, referências a monstros e um “perseguidor” bizarro que nos lembra muito O Enigma de Outro Mundo. Logo, a Umbrella é citada, assim como easter eggs óbvios estão espalhados pelos cenários, porém a muito mais do que isso, o que torna esse longa uma espécie de “Conto de Raccoon City”, pois vemos algo que poderia ocorrer com alguém comum no momento errado, dentro da cidade errada.
E falando nesse alguém, o brilhantismo, humor e carisma de Austin Abrams nos convence do que vemos. Torcemos por ele, ficamos preocupados, questionamos suas decisões e nos impressionamos a cada virada de esquina naquela localidade bizarra. Da mesma forma, quando ele se posiciona em frente a câmera, coloca a bandoleira, é como se o momento da cutscene estivesse finalizado, e finalmente voltamos a jogar.
Ou seja, um longa que consegue proporcionar isso, utilizando bem os elementos de survivor horror, é sem dúvidas um grande acerto!

Um Noob entra em Raccoon City
Não tem Leon, não tem Claire, não tem Chris e nem Jill! Sim, é importante deixar isso esclarecido logo de início para evitar as reclamações redundantes e comentários desnecessários. E se serve de consolo, nem o filme que juntou todos eles também acertou!
Se pensarmos que Resident Evil para ir aos cinemas precisa apenas do ambiente da mansão para que a história funcione é limitar demais as possibilidades que a própria saga já deixou para trás há muito tempo.
Logo, o que Zach Cregger faz é trazer a experiência de um noob entrando em Raccoon City em meio ao caos da epidemia. Ele não sabe o que está acontecendo, o que são aquelas criaturas, mas ele precisa sobreviver. Tal qual os jogadores que viveram o início dos anos 2000 em contato com os primeiros jogos.
Entretanto, o diretor também nos dá um vislumbre do pro player na figura de uma personagem que poderia ser facilmente um agente altamente treinada da Umbrella, contudo essa história não é sobre um time de elite, não é sobre soldados treinados para aquela situação, então se ela ficar pelo caminho sentiremos muito pouco!
Assim, Bryan, o protagonista se torna um emulado das nossas tentativas enquanto exploramos o game. Jogamos fora um item que serviria para nos ajudar, como uma escada, tentamos abrir cadeados a força, mesmo sabendo que não adianta, procuramos recursos ainda que o ambiente não seja propício, tentamos não esbarrar em coisas para não chamar atenção.
Cada um desses momentos intensifica a tradução da gameplay para a tela de cinema que aqui funciona com maestria.
Obviamente alguns momentos sofrem com a quebra na tensão devido ao humor que pode ser considerado excessivo, contudo, o riso de nervoso também é algo que estamos acostumados quando um estamos diante de uma história de terror, seja ela na sétima arte, ou no console.
Por fim, a nova empreitada de Resident Evil nos cinemas contorna as adaptações ruins, como quem foge de uma orda de zumbis lentos, e mira numa narrativa assertiva e competente (ainda que muitos torçam o nariz) acertando no que se propõe.

E vale o ingresso?
Resident Evil é um acerto que mergulha na tensão, na experiência de emular o jogador em uma história que abraça o terror e a comédia num cenário caótico. Zach Cregger percorre caminhos diferentes em sua adaptação, referenciando o icônico game, mas tomando liberdade para criar uma espécie de “Conto de Raccoon City”, onde os cenários, movimentações e progressão rítmica nos fazem adentrar uma gameplay na tela de cinema.
O resultado é o melhor possível, para raiva de quem ainda espera o Leon, mas para sorte de quem buscava um entretenimento competente!
Resident Evil está em cartaz nos cinemas!
- Veja também: Onde assistir aos filmes de Resident Evil?
Resident Evil é um acerto que mergulha na tensão, na experiência de emular o jogador em uma história que abraça o terror e a comédia num cenário caótico. Zach Cregger percorre caminhos diferentes em sua adaptação, referenciando o icônico game, mas tomando liberdade para criar uma espécie de "Conto de Raccoon City", onde os cenários, movimentações e progressão rítmica nos fazem adentrar uma gameplay na tela de cinema.
