“A Morte do Demônio: Em Chamas” é sangrento, imparável e um dos grandes filmes de terror do ano!
É fato que Sam Raimi criou uma das franquias mais adoradas no mundo do terror, começando com um clássico, marco dos efeitos práticos, em 1981, com “Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio“, rendendo duas outras sequências, nos anos 1987 e 1992.
Em 2013, Fede Alvarez (de Alien: Romulus, 2024) reboota a história, em “A Morte do Demônio“, trazendo um pouco mais – bem mais – de violência para a história dos amigos sendo perseguidos por possessos após lerem palavras proibidas do Necronomicon (Livro dos Mortos). Lee Cronin (de A Maldição da Múmia, 2026), em 2023, leva a maldição para um prédio em Los Angeles, e coloca a entidade para atormentar uma pequena família, com “A Morte do Demônio: A Ascensão“.
E não tão distante da temática familiar, nesse ano vemos Sébastien Vaniček (de Infestação, 2023) à frente de “Evil Dead Burn“, novo capítulo que promete ser mais intenso e fazer jus aos projetos anteriores.

Na história acompanhamos Alice (Souheila Yacoub) que, após a morte do marido Will (George Pullar), é convidada pelo cunhado Joseph (Hunter Doohan) a passar uns dias na casa dos sogros, Susan (Tandi Wright) e Edgar (Erroll Shand). Porém, uma força demoníaca ameaça a família, e um por um sucumbem violentamente até que uma arma poderosa seja encontrada.
Temos aqui, certamente, um dos grandes filmes de terror do ano!
“A Morte do Demônio: Em Chamas” não poupa esforços para ser brutal, arriscando roubar o título do seu primo de 2013 que se diz “o filme mais apavorante que você verá nesta vida“. Vaniček abusa de movimentos abruptos de câmera, sem comprometer o entendimento da cena, assim como opta, em alguns momentos, por planos longos, segurando a tensão e o desespero do seu espectador.
A violência explícita e exagerada é uma das marcas da franquia. Porém, aqui, ela é multiplicada e beira o grotesco, no melhor sentido possível. Portanto, prepare o estômago antes da sessão: pode ser uma tesourinha de unha, uma caneta hiperfaturada, uma lava-louças ou até uma roçadeira… o resultado será sempre uma explosão de vermelho.
Por falar em cores, a fotografia é viva e quente em vários momentos gore, e mais fria nos desenvolvimentos. Isso destaca as sequências, cria uma boa ambientação e influencia diretamente na experiência visual do espectador, causada pelo contraste. Uma das grandes vantagens de “A Morte do Demônio: Em Chamas” é a sua visibilidade. Sim… por mais que existam momentos mais escuros, ainda é possível enxergar o que acontece em cena sem precisar espremer os olhos, como vemos em um filme ou outro (nem precisa ser de terror, necessariamente).

Contudo, nem só de impacto emocional se sustenta um filme: é preciso ter substância. Felizmente, os arcos das personagens não são tão bidimensionais quanto o esperado, afinal estamos falando de uma proposta que, praticamente, desconsidera empatia excessiva por parte do espectador (no fundo… a gente assiste querendo ver as formas mirabolantes que inventaram pra matar umas pessoas desavisadas).
A trama base do luto funciona bem e conecta satisfatoriamente bem alguns eventos e motivações apresentadas no próprio universo do filme; existe abertura para discussão de uma subtrama sobre violência doméstica; existem referências a acontecimentos anteriores, explorados em outros filmes da franquia… é até dado um pouco de tempo para expandir a mitologia ao entorno do Livro dos Mortos e um grupo secreto que fazia pesquisas sobre ele.
Entretanto, os convencionalismos próprios do gênero ainda são muito marcantes e, em alguns momentos, é o que é usado para fazer a história de mover; ao mesmo tempo que contradizem a própria lógica interna: vejamos, por exemplo, um Deadite que precisa de alguém que lhe abra a janela para entrar na casa, logo depois de ter demonstrado uma força descomunal; ou uma personagem que não sofre com os primeiros sintomas da possessão, mesmo após ter tido contato direto por infecção com o sangue de outro Deadite.

Pequenos momentos como estes suspendem o espectador e o tiram rapidamente do fluxo do filme, que, inteligentemente, logo retoma seu ritmo frenético e faz com que tais questionamentos passem quase que por despercebidos.
Para além das referências, reboots e continuações, “A Morte do Demônio: Em Chamas” se consolida como um ótimo filme tanto para amantes da franquia, quanto para simpatizantes com o gênero. Com uma pitadinha de humor e toneladas de sangue, consegue se destacar pela inventividade da violência e da intensidade que compensa a da história, mantendo-se tão visceral, objetivo, incansável e aterrorizante quanto seus antecessores, sem se perder nas medidas.
Aos os que gostam de esperar, o filme conta com duas cenas pós-créditos: a primeira é logo após o main-on-end credits (aqueles créditos com animações, com a equipe principal) e a segunda após os créditos finais.

“A Morte do Demônio: Em Chamas” já está em cartaz em todos os cinemas do Brasil
A Morte do Demônio: Em Chamas se consolida como um ótimo filme tanto para amantes da franquia, quanto para simpatizantes com o gênero. Com uma pitadinha de humor e toneladas de sangue, consegue se destacar pela inventividade da violência e da intensidade que compensa a da história, mantendo-se tão visceral, objetivo, incansável e aterrorizante quanto seus antecessores, sem se perder nas medidas.
