Toy Story 5 demonstra que sabe o que quer contar e conquista o público mais uma vez!
Se você é um millennial tardio ou um gen z, Toy Story com certeza moldou diretamente a sua relação com os brinquedos. O filme lançado em 1995 não só revolucionou a indústria da animação e tecnologia como fez toda uma geração a acreditar que os próprios brinquedos ganhavam vida quando ninguém estava olhando.
Todo o sucesso do filme garantiu a Pixar uma vaca leiteira que foi muito bem explorada durante 3 filmes e fez muitos dos fãs afirmarem que não tinha necessidade de uma nova sequência. Com o fracasso (e decepção) do quarto filme, o anúncio de um novo longa gerou preocupações, mas felizmente Toy Story 5 chegou aos cinemas essa semana e é um acerto ENORME dos estúdios Pixar.

O Contexto e a Nova Aventura
Se você não se lembra aonde a história parou, eu não te culpo, são 7 anos desde a estreia de Toy Story 4 e DEZESSEIS anos de Toy Story 3, então segura a minha mão e vem comigo (ou assiste os 12 filmes – entre longas e curtas – pra se atualizar).
Resumindo bastante só o que você precisa se lembrar, o grupo de brinquedos originais não pertence mais ao Andy. Após ficar velho demais para brincar com brinquedos, então doa seus fiéis amigos para a Bonnie, uma menina super criativa e com uma grande imaginação. Tanta imaginação faz Bonnie criar Garfinho, um “brinquedo” feito com um garfo de plástico e limpador de cachimbo, que agora faz parte do grupo de brinquedos.
Com Woody e Betty oficialmente fora do grupo de brinquedos principais, a líder do grupo de brinquedos passa a ser Jessie, que fica responsável pela organização dos brinquedos e garantia da felicidade de Bonnie, porém a garota se vê com dificuldade de fazer amigos na nova vizinhança.
Quando se descobre que o principal problema para fazer amigos se dá por causa das telas, os pais de Bonnie decidem dar a ela um tablet. Quando Lilypad chega a casa de Bonnie ameaçando a permanência dos brinquedos, Jessie parte em uma missão com Bala no Alvo para garantir a felicidade da criança e a ajudar a fazer novos amigos.
Desenvolvimento e Roteiro
A história se desenvolve em um ritmo interessante e, muita das vezes, engraçado.
A parte cômica fica por conta da escolha de acompanhar duas histórias simultâneas: Jessie e sua busca incessante em não ser esquecida por sua dona novamente é o eixo principal, mas paralelamente temos um arco secundário de um grupo de Buzz Lightyears Hi-tech que após um acidente com um container estão decididos a voltar para o comando estelar.
Tudo bem que o arco secundário foi encaixado ali apenas para solucionar futuros problemas no enredo, mas é uma adesão curiosa e interessante (talvez até um pouco saturada se pensar em quantas vezes já vimos essa dinâmica do Buzz recém saído da caixa que pensa ser realmente um patrulheiro espacial).
Mas essa é uma história Pixar, então é claro que o roteiro consegue equilibrar momentos de humor característicos do estúdio com cenas que fazem a garganta apertar com vergonha de chorar em uma sala lotada de crianças de 5 anos. Muita da emoção se dá diretamente na conexão criada pelas referências aos filmes anteriores e também o contato direto com a nossa criança interior, muitas vezes esquecida.

Evolução das Personagens
Aos mais saudosistas, sim, a dupla Woody e Buzz está presente no novo longa, mas essa infelizmente é uma péssima escolha. Após cinco filmes, temos quase um Vingadores: Ultimato de brinquedos acumulados ao longo da franquia e, às vezes, é melhor deixar ir.
O destaque desse filme é e precisa ser da Jessie. Trazer os protagonistas anteriores se torna uma forçação de barra apenas pra vender boneco, já que os mesmos são praticamente irrelevantes pro enredo com sua síndrome de salvador.
Jessie tem uma construção fenomenal como personagem. Mesmo passando por lares onde foi amada incondicionalmente por suas crianças, a vaqueira segue com o medo constante de ser abandonada novamente, gerando um forte sentimento de solidariedade e empatia pela boneca.
Além disso, a chegada dos personagens tecnológicos também é feita de forma acertada. Toda a forma como os brinquedos eletrônicos são retratados, direta e rapidamente substituídos pelas telas, também trazem a reflexão sobre a relação do consumismo compulsivo até mesmo com os brinquedos. Quem diria que era possível simpatizar com um auxiliar de banheiro.

Direção de arte e aspectos técnicos
É inegável a evolução gráfica de Toy Story. Desde o filme anterior os estúdios Pixar não brincaram em serviço mostrando qualidades hiper realistas na animação até mesmo em detalhes como a chuva e pelo de gato, mas – pra mim – acho que o maior destaque não se dá para os gráficos de última geração e sim no recurso da brincadeira.
No novo longa, influenciados diretamente pela imaginação da Bonnie, todas as brincadeiras se tornam pequenas histórias animadas com traços diferentes, de forma bem colorida e infantil, dando muito mais ludicidade. O espectador sai do papel de observador da brincadeira e agora passa a ver tudo com os olhos da criança. Isso é simplesmente lindo.
Outra estrelinha dourada de xerife vai para a dublagem. Não é novidade que a dublagem brasileira faz um trabalho excepcional, mas em Toy Story 5 temos um trabalho tão bem feito que nem as piadas datadas incomodam, além do destaque para a Maísa, que dá voz à vilã do filme.
Trilha sonora eu não vou comentar porque não foi tão relevante, mas ainda acho bizarro a quantidade de fãs de Taylor Swift que estava na sessão no meio das crianças apenas para ouvir a nova música da loirinha para o filme.
Ver a sala de cinema cheia numa quarta feira é de aquecer o coração. E não apenas de crianças barulhentas, mas também de pais que provavelmente cresceram com essa história e agora passam o legado para os seus próprios filhos.
E vale o ingresso?
Ao fim, Toy Story 5 justifica completamente sua existência, rebatendo qualquer dúvida de que essa seria apenas uma jogada comercial do estúdio. Claro que nada é perfeito, mas se a dona Pixar entender que é exatamente assim que se faz sequências – sem forçar a barra com nostalgia e não deixando o enredo vazio – podem vir muitas outras, inclusive para outras franquias.
Importante: O filme conta com duas cenas pós-créditos. Uma no meio das letrinhas e uma bem ao final dos créditos.
- Veja também: Review de Força, Nakamura!!
Toy Story 5 justifica completamente sua existência, rebatendo qualquer dúvida de que essa seria apenas uma jogada comercial do estúdio. Claro que nada é perfeito, mas se a dona Pixar entender que é exatamente assim que se faz sequências - sem forçar a barra com nostalgia e não deixando o enredo vazio - podem vir muitas outras, inclusive para outras franquias.
