Todo Mundo em Pânico garante boas risadas, mas peca ao fragmentar sua estrutura narrativa!
O resgate de marcas humorísticas consagradas das décadas passadas tornou-se um movimento frequente e bastante debatido no cenário do entretenimento. A reformulação do humor escrachado, a adaptação visual das paródias e o desafio de dialogar tanto com os nostálgicos quanto com os novos espectadores dominam as discussões sempre que um projeto é anunciado. É nesse cenário de grande expectativa que a clássica sátira dos filmes de terror retorna aos cinemas, trazendo a responsabilidade de comprovar que o deboche explícito ainda possui espaço e relevância na atualidade.
Deste modo, o novo Todo Mundo em Pânico garante boas risadas, mas peca ao fragmentar sua estrutura narrativa! Embora demonstre extrema habilidade ao ridicularizar os clichês do cinema de terror moderno sem qualquer pudor, a produção entrega uma sequência de piadas afiadas sobre o cotidiano contemporâneo, mas falha em amarrar esses momentos de forma coesa, resultando em um ritmo desconexo, onde certas sequências de humor estão longe de arrancar risadas. Logo, o produto final funciona perfeitamente para quem deseja apenas se desligar da realidade e testemunhar as paródias de novos clássicos do horror. E para uma experiência de cinema, o balanço é satisfatório, ainda que soe mais como uma antologia, do que uma sequência narrativa competente. E ainda que seja apenas o humor escrachado e exagerado, certas estruturas ainda precisam ser seguidas!
Fale mais sobre isso
Uma nova figura mascarada e caricata passa a perseguir um grupo de estudantes completamente alienados. Para escapar das investidas absurdas do criminoso, os alvos precisam da ajuda de quem já passou por isso, e desta forma, Cindy e Brenda retornam para tentar derrotar o novo Ghostface, ao mesmo tempo que novas paródias de filmes atuais do horror ganham seus momentos para arrancar risadas do público.
Redes sociais, Hollywood e o desgaste das piadas
Michael Tiddes comanda a produção e demonstra um domínio competente do estilo de sátira que consagrou a franquia.
Desta forma, roteiro é astuto ao extrair comédia do comportamento da Geração Z, mirando nas tendências tanto de comportamento, quanto nas redes sociais. Da mesma forma, o texto satiriza os rumos recentes da indústria cinematográfica, desferindo críticas irônicas ao formato dos blockbusters atuais de maneira ácida, mantendo o foco central na pura diversão. O único revés reside no fato de que o ritmo sofre interrupções frequentes para a introdução de quadros humorísticos que quebram o fluxo da história.
Isso fica nítido quando a história sai do foco da paródia dos novos filmes de “Pânico”, para inserir uma referência a alguma produção atual do terror. Esse formato, quase episódico, não funciona totalmente, tão pouco as piadas encaixam da mesma forma.
Já o aspecto técnico, as sequências de paródia direta às produções de horror são os momentos mais inspirados do longa. Contudo, a obra encontra barreiras sérias na construção de sua jornada como um filme unificado.
Na segunda metade, a mecânica do humor até funciona e arranca risos, mas é nítido que o roteiro não consegue manter a graça no mesmo patamar dos minutos iniciais. Algumas piadas se estendem além do necessário e se estruturam como esquetes teatrais isoladas, que funcionariam na internet, porém quando inseridas dentro de uma narrativa de longa-metragem deixam claro que prejudicam a continuidade da narrativa.
Diante disso, o novo Todo Mundo em Pânico se preocupa em rechear a tela com referências visuais que vão de memes famosos a produções premiadas de terror. Tudo é planejado para que o espectador consuma o conteúdo de forma leve, sem a necessidade de reflexões profundas. E para uma experiência de cinema, o balanço é satisfatório, ainda que soe mais como uma antologia, do que uma sequência competente.

Sátiras modernas na era da conectividade
Percebemos que esta é uma produção refém do timming dos lançamentos quando as sequências de Pecadores, A Hora do Mal e até de Longlegs parecem não se encaixar na história que está sendo contada.
O mesmo para o momento de A Substância, que se torna uma autorreferência aos Wayans que certamente vai mexer com quem for ao cinema.
Deste modo, a essência da paródia é bem desenvolvida em um roteiro que não tem vergonha de suas raízes baseadas no besteirol. O filme abraça a tolice de sua premissa e entrega uma experiência ágil, onde o comportamento de seus personagens é tão vergonhoso que nos resta rir dos absurdos que vão ganhando novas camadas em tela.
Ao mesmo tempo, as situações espelham os questionamentos do próprio público, que frequentemente imagina como os personagens clássicos reagiriam a esse cenário de forma hilária.
E isso é impulsionado ao final, com uma sequência que quebra a quarta parede, usa da metalinguagem e acaba com todo e qualquer sentimento que possa ser resgatado pelas “sequências legado” que tanto ocuparam espaço no mercado cinematográfico nos últimos anos.
Ou seja, Todo Mundo em Pânico está de volta, para o bem ou para mal.

E vale o ingresso?
O novo Todo Mundo em Pânico garante boas risadas, mas peca ao fragmentar sua estrutura narrativa! Embora demonstre extrema habilidade ao ridicularizar os clichês do cinema de terror moderno sem qualquer pudor, a produção entrega uma sequência de piadas afiadas sobre o cotidiano contemporâneo, mas falha em amarrar esses momentos de forma coesa, resultando em um ritmo desconexo, onde certas sequências de humor estão longe de arrancar risadas.
Logo, o produto final funciona perfeitamente para quem deseja apenas se desligar da realidade e testemunhar as paródias de novos clássicos do horror. E para uma experiência de cinema, o balanço é satisfatório, ainda que soe mais como uma antologia, do que uma sequência narrativa competente.
E ainda que seja apenas o humor escrachado e exagerado, certas estruturas ainda precisam ser seguidas!
Todo Mundo em Pânico está em cartaz nos cinemas.
IMPORTANTE: Todo Mundo em Pânico possui duas cenas pós-créditos!
- Veja também: Crítica de Mestres do Universo
O novo Todo Mundo em Pânico garante boas risadas, mas peca ao fragmentar sua estrutura narrativa! Embora demonstre extrema habilidade ao ridicularizar os clichês do cinema de terror moderno sem qualquer pudor, a produção entrega uma sequência de piadas afiadas sobre o cotidiano contemporâneo, mas falha em amarrar esses momentos de forma coesa, resultando em um ritmo desconexo, onde certas sequências de humor estão longe de arrancar risadas.
