Pixar cancelou filme por semelhança à Guerreiras do K-Pop! Saiba mais!
O The Wall Street Journal soltou uma matéria sobre o engavetamento de BeFri, que seria uma produção da Disney/Pixar.
O projeto, que respirou dentro dos corredores da Pixar por cerca de três anos, foi interrompido abruptamente no final de 2023, deixando para trás um rastro de frustração. O encerramento pegou o time de surpresa, especialmente porque envolvia um contingente de 50 profissionais e já batia às portas da fase de animação propriamente dita — um estágio avançado demais para os padrões de cancelamento do estúdio, o que torna a decisão ainda mais atípica e drástica.
A mente por trás da obra era Kristen Lester, talentosa diretora do curta Purl, que buscava imprimir em BeFri uma carga emocional baseada em suas próprias vivências de juventude. A trama girava em torno de duas adolescentes afastadas que, subitamente, descobriam que o desenho animado que tanto amavam — fortemente inspirado na estética de Sailor Moon — era, na verdade, uma realidade tangível. O enredo prometia uma odisseia intergaláctica para salvar a raça humana, contando com a colaboração do roteirista Blaise Hemingway e a experiência de Nicholas C. Smith na edição.
A jornada criativa, no entanto, foi marcada por uma luta exaustiva contra a desaprovação dos executivos. O filme atravessou quatro reformulações profundas em resposta aos feedbacks internos. Em um momento crítico, a equipe chegou a solicitar seis semanas de dedicação integral para reconstruir o conceito do zero, trabalhando incessantemente para tentar alinhar a visão artística às exigências da Disney. Mesmo com o esforço hercúleo dos artistas envolvidos, a ordem de parar as máquinas prevaleceu, deixando para trás o que muitos consideravam um potencial sucesso.
O motivo por trás do descarte, segundo relatos de ex-funcionários, esbarra em uma questão de nicho e mercado. Pairava sobre os tomadores de decisão a insegurança de que uma narrativa tão focada no empoderamento feminino não encontraria ressonância com o público masculino, limitando seu alcance comercial. A ironia se torna ainda mais amarga quando comparada ao fenômeno Guerreiras do K-Pop. Enquanto a Pixar recuou por receio da temática, a Netflix e a Sony abraçaram uma premissa semelhante, colhendo não apenas uma audiência massiva, mas também a consagração máxima com a estatueta do Oscar, deixando no ar o questionamento sobre o que BeFri poderia ter se tornado se tivesse recebido o sinal verde.
