Peaky Blinders – O Homem Imortal tenta encerrar a saga de forma grandiosa, mas não consegue fugir do básico.
Encerrando a famosa série da Netflix, o longa Peaky Blinders: O Homem Imortal se passa tempos após o fim da última temporada, com a 2° guerra mundial já iniciada e nosso marcante protagonista, interpretado sempre muito bem por Cillian Murphy, Thomas Shelby, em busca de um novo rumo para sua vida enquanto é assombrado pelas lembranças e fantasmas de seu passado.
A escolha de finalizar a história da família Shelby com um longa ao invés de mais uma temporada, sem dúvidas, não foi a das melhores. Mas essa decisão passou por alguns empecilhos, como a pandemia de COVID-19, o falecimento da excelentíssima atriz Helen McCrory que interpretava com primor a Tia Polly e o aumento da demanda pelos atores da série, como o próprio Cillian Murphy, que acarretou em problemas com agenda.
De qualquer modo, a série que utilizava muito bem de seu formato para criar uma narrativa com suspense, ação e tramas com reviravoltas, agora se encerra em um formato linear de longa metragem, sem tempo o suficiente para abordar tudo o que deveria e dar um devido encerramento aos fãs que clamavam pelo retorno da família de ciganos mais amada da Netflix.
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Não era difícil perceber a similaridade entre os roteiros, em cada temporada um novo antagonista era introduzido no início como uma grande ameaça à família Shelby, alguma problema familiar é criado nos episódios em seguida, no início da segunda metade da série Thomas se vê encurralado e começa a fazer negociações usando seus familiares e influencias, e quando tudo parece estar perdido, temos os dois últimos episódios com uma reviravolta espetacular surpreendendo todos.
Mesmo que pareça uma ideia simples e repetitiva, a soma das boas atuações, as relações entre os personagens, a criação de uma Europa desolada e governada por quem melhor negocia, junto as cenas de ação e os finais magníficos faziam com que cada temporada fosse única, mesmo que parecidas.
Mas, e o filme? Bom, uma série com 6 episódios em cada temporada, somando ao todo mais de 2160 minutos de tela, sem dúvida tem muito mais tempo para desenvolver tramas e personagens do que um filme com menos de duas horas. Claro que cada temporada seguia parte da trama da temporada anterior, mas também tinha seu próprio roteiro, com sua própria história e, logo, seu próprio início, mas continua sendo muito injusto comparar 6 episódios de 1 hora de desenvolvimento cada com 120 minutos de um longa metragem.
Somando isso ao fato da produção ter um salto temporal, não há tempo para desenvolver os novos personagens apresentados, muito menos para criar o mínimo senso de urgência e perigo com um novo vilão, quanto mais para voltarmos a ter o mínimo de apego com os personagens que já conhecíamos, mas não víamos há meses ou anos!

Atuações e contextos
O filme até começa bem, correndo para explicar onde estamos e o que cada personagem está fazendo. Nos primeiros minutos vemos um Thomas Shelby mais velho, aposentado da liderança da gangue e da família, focado em se entender e em escrever seu livro. Em seguida, vemos quem assumiu o posto de Tommy, sendo este seu filho, Duke muitíssimo bem interpretado por Barry Keoghan, que cria um personagem com muitas similaridades com o pai, mas que claramente não tem os mesmos ideais.
Talvez as atuações dos novos personagens seja uma das poucas coisas difíceis de criticar, mas seguimos sentindo falta de personagens que não foram mostrados e nem lembrados por flashback, e outros que nem sequer foram citados!
Depois do primeiro ato é quando o filme vira uma corrida de 100 metros rasos, onde anos e anos de desenvolvimento são resumidos em poucos minutos. A trama é fraca e pouco emotiva, as cenas de ação são ridiculamente chatas e tudo parece ter saído de um edit de site de vídeos rápidos, parece um compilado de trailers ou clipes dos anos 2010.

E vale a pena assistir?
Existe uma beleza no cafona, no brega e no clichê de Peaky Blinders – O Homem Imortal. Talvez essa beleza que tenha feito a série e os personagens serem tão marcantes, mas o filme não é brega, é simples, é rápido, é chato. O gosto não é de “quero mais”, é um gosto de “só isso?”. O longa até tenta criar um plot e um suspense, mas tenta muito pouco.
Talvez uma minissérie com 3 episódios teria resolvido, ou 30 minutos a mais, com uma direção um pouco melhor, ou talvez seja melhor só recomeçar a série e imaginar qual teria sido o futuro de um personagem tão icônico quanto Thomas Shelby.
Peaky Blinders: O Homem Imortal está disponível na Netflix
- Veja também: Crítica de Eles Vão te Matar
Talvez uma minissérie com 3 episódios teria resolvido, ou 30 minutos a mais, com uma direção um pouco melhor, ou talvez seja melhor só recomeçar a série e imaginar qual teria sido o futuro de um personagem tão icônico quanto Thomas Shelby.
