Off Campus: Amores Improváveis é um besteirol gostosinho que cumpre o que promete!
Na minha bolha literária, a série Off Campus sempre foi uma questão, mas nunca chegou a despertar minha atenção de verdade. Ficou naquele lugar de “existe, sei que existe, mas não é pra mim”.
Aí a Amazon, que parece ter encontrado um nicho bastante interessante nas adaptações do BookTok para atrair audiência para sua plataforma, anunciou que iria trazer a saga para o streaming. E chegou: oito episódios, todos já disponíveis no Prime Video.
Quando soube que a série tinha saído, decidi que não fazia sentido escrever sobre ela sem ter lido o material original. Então fui ao livro primeiro (algo que, convenhamos, eu provavelmente nunca teria feito por conta própria). E foi exatamente essa experiência dupla, de ler e assistir quase que em sequência, que me deu uma perspectiva um pouco mais completa sobre o que a Amazon entregou.

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Antes de entrar nos pontos, o básico: de onde vem tudo isso?
Elle Kennedy é uma autora canadense com mais de 50 títulos publicados no currículo e presença garantida nas listas de bestsellers do New York Times, USA Today e Wall Street Journal. Mas foi a série Off Campus, publicada originalmente em 2015, que se tornou uma sensação global, anos depois, graças ao BookTok, onde virou febre entre leitoras de romance universitário.
A série é composta por cinco livros, todos ambientados na fictícia Universidade Briar, nos Estados Unidos, e todos acompanhando um casal diferente dentro do mesmo grupo de amigos (jogadores de hóquei e as mulheres que entram nas suas vidas). Cada livro funciona de forma independente, mas ler na ordem faz bastante diferença: os personagens secundários de um livro se tornam protagonistas do próximo, e isso cria um universo com uma certa continuidade.
O primeiro livro, O Acordo (The Deal), é o que serve de base para a primeira temporada da série. A história acompanha Hannah Wells, uma estudante de música inteligente e determinada que carrega um passado traumático, e Garrett Graham, o capitão do time de hóquei cuja autoconfiança na superfície esconde uma relação bastante complicada com as expectativas do pai.
Os dois fecham um acordo: ela vai dar aulas particulares para que ele não perca a vaga no time por causa das notas, e ele finge namorar com ela para despertar o interesse de outro garoto. O que começa como conveniência vai, previsível e inevitavelmente, se transformando em algo maior (o que por sí só, já é uma narrativa meio meh, visto que a personagem é descrita várias vezes como sendo uma mulher de personalidade forte e que não parece querer fazer qualquer coisa assim por uma paixão, mas beleza).
A adaptação mantém a espinha dorsal da história, mas toma bastantes liberdades ao longo do caminho. Bastante coisa da narrativa muda, por exemplo a aparição de relações que, ao que parece, só acontecem nos volumes seguintes da série de livros. Quem leu pode se sentir um pouco deslocado em alguns momentos, mas se conseguir abrir mão das comparações pelo bem do entretenimento, a experiência ainda funciona.

Mas vale a pena?
Ao contrário do que muita gente está comentando por aí, nem o livro nem a série me pareceram grandes coisas. Não mudou a química do meu cérebro ou qualquer coisa que seja parecido com isso. É um romance universitário que cumpre exatamente o que promete: entretém, tem tensão romântica e tropeça nos clichês com uma certa graça. Nada mais, nada menos.
Off Campus: Amores Improváveis (tanto os livros quanto a série) é um besteirol gostosinho. Funciona muito bem pra quem está querendo algo leve, envolvente e sem grandes pretensões. Mas está longe de ser uma obra-prima em qualquer aspecto, e a quantidade de elogios que circulam por aí pode criar uma expectativa que a história simplesmente não sustenta.
No fim das contas, é uma série bem sem sal. Agradável, competente, inofensiva, mas nada com bastante tempero.
Dito isso, minha opinião claramente não representa a maioria: Off Campus já foi renovada para uma segunda temporada, a popularidade só cresce, e a Amazon claramente apostou certo no nicho. Então talvez o problema seja meu mesmo. Ou talvez o gênero simplesmente não seja pra todo mundo, e tudo bem.
- Veja também: Crítica de Obsessão
Off Campus: Amores Improváveis (tanto os livros quanto a série) é um besteirol gostosinho. Funciona muito bem pra quem está querendo algo leve, envolvente e sem grandes pretensões.
