Coração de Vidro é um lembrete de que boas histórias podem vir de qualquer lugar
Tenho uma confissão: como fã de dramas coreanos, raramente me aventuro em produções de outros países. Mas Coração de Vidro, disponível na Netflix, foi uma exceção que valeu muito a pena.
A história acompanha Akane Saijo, uma estudante universitária e baterista talentosa que é expulsa de sua banda na véspera de uma grande estreia. No dia em que decide abandonar a música de vez, o destino intervém através de Naoki Fujitani, um gênio musical que a recruta para sua nova banda, TENBLANK.
O diferencial aqui está nas performances.
Enquanto pesquisava sobre a produção, descobri que todo o elenco passou por meses de treinamento rigoroso (vocal, instrumental e de palco) para poder tocar e cantar ao vivo durante as gravações. E isso faz uma diferença enorme no material que chega para nós, espectadores.

Sabe aquela sensação incômoda de assistir um filme sobre música onde os movimentos dos atores não batem com o que está sendo tocado? Ou quando a performance parece desconectada da realidade? Isso simplesmente não existe em Coração de Vidro.
Quando a TENBLANK está no palco, você acredita. A energia é real, as performances têm peso. É uma experiência parecida (de forma proporcional, é claro) com ver Ariana Grande e Cynthia Erivo em Wicked. Você sabe que elas estão performando de verdade.
Claro que o tema central da série é sobre música, mas ela também abre espaço para falar sobre recomeços e sobre encontrar seu lugar quando tudo parece perdido.
Mesmo assim, as coisas não são perfeitas. Coração de Vidro tem seus pontos de melhoria, e eles aparecem justamente onde a série mais poderia brilhar. Com apenas 10 episódios de cerca de 40 minutos cada, falta espaço para desenvolver certos aspectos da história, especialmente os arcos dos personagens secundários, que ficam um tanto quanto superficiais.
Para quem está acostumado com o ritmo dos k-dramas – aqueles 14 ou 16 episódios de uma hora cada, onde a história respira e os personagens têm tempo de crescer – a sensação é de que tudo acontece rápido demais. O final especialmente sofre com isso: o último episódio tem apenas 33 minutos, e dá para sentir que algumas pontas ficaram soltas, alguns relacionamentos mereciam mais atenção.

É aquela situação em que você gosta tanto do que está assistindo que queria mais tempo com aqueles personagens, mais camadas, mais profundidade. Não chega a comprometer a experiência, mas fica aquele gostinho de “poderia ter sido ainda melhor”.
De qualquer forma, para quem, como eu, costuma ficar na zona de conforto dos k-dramas, Coração de Vidro é um lembrete de que boas histórias podem vir de qualquer lugar. Vale a pena assistir com certeza!
Coração de Vidro está disponível na Netflix
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