O final de The Boys é um desfecho morno e básico que carece da audácia do passado!
A expectativa em torno do encerramento de produções que redefiniram a cultura pop é algo que rende inúmeras pautas! Seja a pressão para amarrar todas as pontas soltas, o destino reservado para os protagonistas, ou a necessidade de chocar o público; fora toda a ansiedade que é estabelecida a partir do anúncio dos episódios finais. E em meio a tudo isso podem surgir dúvidas, como a que permeia a história da vez, aquela que questiona se a produção que tanto nos empolgou no início conseguirá manter o mesmo nível até a linha de chegada!?
Deste modo, o final de The Boys é um desfecho morno e básico que carece da audácia do passado! A produção se encarrega de nos levar por resoluções arrastadas, pela perda de ritmo das tramas paralelas, culminando em um encerramento previsível cercado de decisões questionáveis e diálogos fracos. Apesar dos erros e do ritmo descompassado, a série não entrega uma conclusão monumental fajuta como Stranger Things, e nem uma perda total de características como em Game of Thrones, situando-se em um meio-termo apenas básico demais. Um verdadeiro lembrete de que até os universos mais subversivos podem sofrer com o desgaste do tempo!
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A trama retoma a caçada implacável contra o Capitão Pátria e os planos da Vought para consolidar seu poder político e social. O grupo liderado por Billy Bruto tenta articular seu último movimento para impedir a ruína total, mas as ações dos inimigos tornam tudo ainda mais perigoso. E agora que o líder dos Sete está em busca de se tornar uma figura messiânica, o trunfo dos Rapazes pode vir de onde menos se espera, e alianças improváveis vão tornar essa última missão em algo derradeiro para eles, e para o mundo.
Sem a imprevisibilidade de antes
Eric Kripke é o showrunner e principal mente por trás do desenvolvimento da série. Se nas primeiras temporadas o comando criativo se destacava por chocar o espectador com reviravoltas genuínas e uma sátira política ácida, o mesmo não pode ser dito deste ano final.
O elemento crucial que fazia a produção funcionar no passado era justamente a sensação de que ninguém estava a salvo e de que qualquer roteiro convencional seria estraçalhado.
Desta vez, a câmera e o texto sofrem severamente na questão do ritmo. A temporada demora a engatar e, quando os episódios avançam, a obra perdeu grande parte da imprevisibilidade que a tornou um fenômeno. As conveniências de roteiro começam a surgir para proteger figuras centrais, fazendo com que a atmosfera de perigo real seja substituída por uma condução burocrática.
O episódio final, embora entregue momentos bons em termos de escala, sofre visivelmente com problemas de montagem e edição.
Os cortes parecem apressados para resolver conflitos que deveriam ter sido maturados ao longo do ano, evidenciando que a temporada também carece de bons diálogos. As interações, antes repletas de ironia e peso dramático, agora soam repetitivas, girando em círculos antes de chegar ao ponto definitivo.

O peso do encerramento
A busca por encerrar uma narrativa grandiosa coloca a produção em um dos cenários mais difíceis da televisão atual. O texto tenta nos conduzir a um desfecho impactante, mas esbarra em suas próprias limitações estruturais.
O fato é que, diante dos tropeços das grandes franquias recentes, o resultado aqui assume uma postura peculiar. Não estamos diante de um desastre completo.
Apesar dos erros evidentes na edição e no andamento dos capítulos, The Boys não comete os mesmos pecados de seus contemporâneos: não se apoia em uma grandiosidade vazia e artificial como o que se desenha para o fim de Stranger Things, e passa longe de trair a essência de seus personagens como aconteceu no contestado desfecho de Game of Thrones. O pecado da série é, surpreendentemente, a falta de ambição.
A sensação ao final é de que a jornada dos rapazes contra os heróis corrompidos merecia muito mais impacto. O caminho escolhido entrega as respostas necessárias e fecha o ciclo, mas o faz de um jeito tão básico que desbota o brilho daquela que já foi uma das produções mais ousadas da televisão.

E vale a pena assistir?
O final de The Boys é um desfecho morno e básico que carece da audácia do passado! A produção se encarrega de nos levar por resoluções arrastadas, pela perda de ritmo das tramas paralelas, culminando em um encerramento previsível cercado de decisões questionáveis e diálogos fracos.
Apesar de demorar demais para engatar e sofrer com problemas visíveis de montagem em seu episódio decisivo, a série consegue entregar uma conclusão honesta. Longe de ser uma entrega monumental fajuta ou uma perda total de identidade, a temporada final cumpre sua tabela de forma protocolar, deixando um gosto de que a irreverência do início merecia um adeus muito mais potente.
Todas as temporadas de The Boys estão disponíveis no Prime Video.
- Veja também: Crítica de Off Campus
O final de The Boys é um desfecho morno e básico que carece da audácia do passado! A produção se encarrega de nos levar por resoluções arrastadas, pela perda de ritmo das tramas paralelas, culminando em um encerramento previsível cercado de decisões questionáveis e diálogos fracos.
