Zico: O Samurai de Quintino expressa o lado humano do jogador, mas falha em mostrar a genialidade de seu futebol
Há anos documentários não são mais enciclopédias na forma de vídeo! Documentários criam e moldam narrativas e imagens, podem mudar a forma como enxergamos astros, momentos históricos, o mundo e seus acontecimentos, mas para isso é necessário mais do que uma boa montagem de imagens.
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O documentário começa de uma forma curiosa, mostrando a passagem de Zico pelo Kashima Antlers, time japonês onde o jogador é lembrado como ídolo até hoje. Então somos apresentados a infância e início da carreira do jogador, além de seus familiares, jornalistas e personas do futebol que sempre comentam o quão genial era ver o Zico jogando e, acima de tudo, fazendo gols! Mas aí surge um grande problema desse documentário, a narrativa.
Somente falar não é o suficiente, somente comentar o quão importante foi a trajetória do Zico não é o suficiente.
São usados alguns clipes de partidas da época, cenas de gols e imagens de placares para situar quem está assistindo, mas nada disse vale se o gol do título é tratado como mais um gol qualquer, se o time rival é só mais um time comum.

Ótima homenagem, mas fraca em emoção
O documentário é montado de forma linear, ou seja, monta uma linha do tempo, primeiro vemos o início da carreira de Zico para depois vermos o fim. Essa montagem pode sim ser uma escolha muito boa para acompanhar uma história, mas desde que haja peso e carga emocional nesses momentos. Depois de mostrar a infância e início de carreira do jogador somos apresentados aquele que poderia ser o ápice dessa história, seus anos pelo Flamengo e, especialmente, o ano de 1981, ano em que o time de futebol Flamengo ganha não só o campeonato Libertadores, mas também o Mundial. Esse momento é conhecido por qualquer jogador de futebol e é cultuado por qualquer flamenguista, mas infelizmente é mostrado como só mais um ano qualquer.
Um documentário que se dá o papel de falar de um jogador tão marcante não pode tratar os momentos mais importantes da carreira deste jogador, e da vida de um clube, como só mais um momento.
Qual era o pensamento do torcedor flamenguista anos antes da chegada do Zico? Como o Zico era tratado durante sua carreira? Qual o peso de um título estadual ou nacional que faz as pessoas lembrarem com tanto carinho e preferirem manter a lembrança daquela época do que comemorarem os títulos de hoje? Por que o Zico faz falta? Para quem é fã de futebol essas perguntas são sem cabimento já que as respostas são óbvias, mas quem quer assistir um documentário no intuito de ver essas respostas sentirá falta de emoção.
Para os fãs de futebol, da seleção brasileira e, acima de tudo, para os flamenguistas, Zico não é só mais um à levantar taças, é um astro indiscutível, comparável de igual para igual com os melhores da história do mundo até hoje em dia. Mas somente comentar não é o suficiente, assistir alguns gols e ver o placar de jogos não é o suficiente, falta a narrativa que traz a emoção e o climax.

E Vale a pena Assistir?
Zico: O Samurai de Quintino expressa o lado humano do jogador, mas falha em mostrar a genialidade de seu futebol.
Assim como uma partida de futebol em que um gol aos 44 do segundo tempo faz qualquer um gritar de emoção, este é o climax de um longa-metragem que vamos guardar em nossa memória e que nos fará comentar sobre o que assistimos com todos.
Talvez para os poucos que acompanharam de perto a passagem do Zico pelo Japão este documentário seja nostálgico, mas aqueles que cantam “em dezembro de 81” e sonham todo ano em ganhar o mundo de novo, sairão deste documentário com um gosto de “pênalti perdido”.
Zico: O Samurai de Quintino chega aos cinemas em 30 de Abril
- Veja também: Review de Por Você
Zico: O Samurai de Quintino expressa o lado humano do jogador, mas falha em mostrar a genialidade de seu futebol!
