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    Natalie Portman em Cisne Negro, filme de Darren Aronofky.
    Filmes

    O CISNE NEGRO obcecado de Darren Aronofsky | Roteiro ao Avesso

    Ronald AquinoBy Ronald Aquino04/03/2026Nenhum comentário10 Mins Read
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    Capítulos

    • UM LAR EM DESEQUILÍBRIO
    • ENTRE O BELO E O PERFEITO
    • DA CONFUSÃO À FRAGMENTAÇÃO
    • UM ÚLTIMO ATO INEVITÁVEL

    A única pessoa no seu caminho é você mesma!

    Thomas Leryoy, em “Cisne Negro”

    Que Darren Aronofsky não poupa esforços para debater temas polêmicos em suas obras, nós já sabemos. O diretor de “mãe!” (2017) e de “A Baleia” (2022) é um dos mais bem-sucedidos de Hollywood e conta com uma filmografia repleta de obras intensas e alegóricas. E em “Cisne Negro“, realizado pelo cineasta em 2010, não seria diferente! A obra que concedeu o Oscar® de Melhor Atriz para Natalie Portman e recebeu diversas indicações em premiações, ainda desperta curiosidade e interesse do público, principalmente, por sua construção de camadas e o que nos é apresentado em cada uma delas, sendo até considerada uma obra-prima na carreira de Aronofsky.

    E esta será a análise da vez em mais um “Roteiro Ao Avesso“, com o filme de suspense dramático favorito do redator que vos escreve. Claro que é de praxe a presença de spoilers no texto, já que vamos dissecar vários simbolismos da trama. Então, fica a dica: para você que ainda não assistiu (o que eu poderia considerar como crime irreparável, mas irei deixar passar desta vez), volte aqui depois de ter seus neurônios danificados pelo espetáculo visual e visceral de “Black Swan“. O filme está disponível na plataforma de streaming Disney+.

    Natalie Portman em cena Cisne Negro, filme de Darren Aronofky.
    Foto: Reprodução.

    UM LAR EM DESEQUILÍBRIO

    Em “Cisne Negro“, acompanhamos a jovem Nina (Portman), uma bailarina esforçada de uma prestigiada academia de balé, que recebe o papel principal no novo espetáculo do clássico “O Lago dos Cisnes” reinventado pelo realizador Thomas Leroy (Vincent Cassel, de “Irreversível“, 2002). Porém, sua constante obsessão em mostrar-se perfeita, acaba levando-a ao extremo da exaustão mental e física, principalmente após a chegada da sedutora Lily (Mila Kunis, de “Oz: Mágico e Poderoso“, 2013; “Amizade Colorida“, 2011). Ao passo que a apresentação se aproxima, Nina fica cada vez mais preocupada com a sua entrega ao papel e a constante degradação de si, temendo algo que parece fugir de seu próprio controle.

    Antes de nos aprofundarmos nos aspectos psicológicos que envolvem a protagonista Nina, precisamos falar de algo importante que é, talvez, base para o trauma que testemunhamos no filme: seu núcleo familiar, no caso, sua mãe, Erica (Barbara Hershey, de “Retrato de Uma Mulher“, 1996). Não são dados muitos detalhes sobre o passado da mãe, mas o que se sabe já é suficiente para traçar uma linha de raciocínio pertinente. Erica foi uma bailarina frustrada em sua carreira, pois teve que abandoná-la para cuidar de Nina. E isso influencia o funcionamento mental distorcido de Erica com a própria filha, já que apresenta comportamentos de superproteção, tal qual a bruxa do conto de fadas “Rapunzel“.

    A tentativa desesperada de redimir a si mesma na vida de Nina, faz a personagem de Hershey ser mais uma vítima do extremismo e da exaustão. Isso é refletido constantemente em suas ações excessivamente protetoras em relação aos horários de saída e chegada da filha, ou sua dedicação no exercício do balé, ou até reforçando a característica da infantilização na personagem de Natalie Portman.

    Um lar psicologicamente instável contribui para a formação de indivíduos pouco funcionais, uma vez que praticamente os obriga a morar em meio à pressão emocional, estresse sem limites ou passividade/reatividade constantes. E tudo que nos é evidenciado sobre a relação abusiva e exageradamente polarizada entre Erica e Nina é completamente relevante quando se considera um quadro mental debilitado por parte da nossa protagonista.

    Natalie Portman em cena Cisne Negro, filme de Darren Aronofky.
    Foto: Reprodução.

    ENTRE O BELO E O PERFEITO

    A arte, por natureza, é contemplar o que é belo, exercendo isso das mais diversas formas. E quando falamos de música, escultura, pintura ou dança, por exemplo, a concepção do que é “belo”, “culto” ou “perfeito” pode alcançar patamares desastrosos. Já que estamos falando sobre balé, permitam-me uma associação tendenciosa: os pés de uma bailarina são, dentro do estereótipo, feios e machucados. Mas, por cima das feridas e dos calos, veste-se uma singela sapatilha. Fina e perfeitamente costurada, pronta para realizar os mais belos movimentos. A partir disso, pergunto: qual o custo de se viver para a idealização do belo? Quais são os limites?

    No mundo da arte, reforçar esse princípio pode ser muito perigoso. E para uma mente fragilizada, como a de Nina, pode ser desastroso. A obsessão pela perfeição e para entregar o resultado mais excepcional possível pode deteriorar o mais puro dos corações e a mais forte das mentes. Não importa o quanto se tenha que sofrer; não importa o quanto tenha que se doar até chegar ao cansaço… o resultado precisa ser impecável.

    Para Nina, sua vida é como seu pé dentro da sapatilha. Deve-se esconder a imperfeição, a emotividade, a fluidez, e dar lugar à técnica e ao esforço multiplicado. Mesmo que, de um tudo, nada tenha valor por ser forçado, como o próprio Leroy diz à protagonista em uma das cenas, enquanto observam Lily dançando. O belo, enfim, acaba perdendo seu sentido maior de encanto e envolvimento, e torna-se, apenas, um objetivo a ser conquistado, um adjetivo simples, reduzido a uma perfeição inalcançável, mas, ainda assim, crível de que possa ser atingida. Custe o que custar.

    Natalie Portman em cena Cisne Negro, filme de Darren Aronofky.
    Foto: Reprodução.

    DA CONFUSÃO À FRAGMENTAÇÃO

    O objetivo não é dizer qual transtorno mental Nina possui. Por mais que existam centenas de artigos e trabalhos que evidenciem a natureza debilitada das mentes em “Cisne Negro“, não somos nós, aqui, e nesse momento, quem devemos dar um diagnóstico. Ele não fará, afinal, tanta diferença na concepção da alegoria como um todo. O fato é que Nina sofre psicologicamente, resultado de uma entrega excessiva, exaustiva e rígida ao papel como Rainha dos Cisnes, devendo interpretar as duas irmãs do clássico balé de Tchaikovski, Odette e Odile (ou, o cisne branco e o cisne negro, respectivamente).

    O triunfo de Darren Aronofsky, não só em “Cisne Negro“, mas em sua filmografia como um todo, é em plantar a semente da dúvida pela linguagem da alegoria. Diversas vezes durante o filme, deparamo-nos com Nina experienciando sintomas psicóticos, como visões de sua própria face em outras pessoas ou, até de forma mais extrema, transformações antropomórficas (descamações na pele e surgimento de asas de cisne enquanto dança). Se é real ou não, também não é o aspecto principal, embora há de se entender que grande parte do que a protagonista vê em relação à suas ações violentas e suas “incorporações” literais como ave são ilusões.

    O fato é que para Nina tudo é real. Sua vida hipercontrolada e sua obsessão desajustada faz com que constantemente se sinta descolada da realidade (ou veja esta de forma distorcida), chegando a um ponto crítico: a fragmentação.

    Inicialmente, somos apresentados a uma Nina doce, meiga e virginal. Isso é evidenciado em seu quarto – rosa e repleto de bichos de pelúcia -, seu modo infantil de falar, sua pouca maturidade em lidar com o erro e sua dependência física e emocional da mãe, que reforça todas estas qualidades com comportamentos e expressões como o incansável “my sweet girl” (“minha garota doce”, em tradução literal). Tal forma de pensar e agir concorda com a áurea do cisne branco que precisa interpretar, mas não com a da gêmea oposta.

    A ideia do doppelgänger (sósia do mal, ou gêmeo maligno) já foi amplamente abordada na literatura e no próprio cinema, como nos filmes “Nós” (2019), de Jordan Peele; ou “O Homem Duplicado” (2013), de Denis Villeneuve. Aqui, em “Cisne Negro”, a fragmentação de Nina se dá de forma subjetiva e psicologicamente catastrófica.

    A personagem de Mila Kunis, Lily, torna-se uma ameaça pela alteridade; sempre com figurinos em contraste, comportamentos aversivos e características consideradas “erráticas“. A partir disso, a mente de Nina a adota como uma personificação da dualidade, como um meio de concretizar a polarização crescente. Não à toa, que o despertar da metade sombria de Nina se dá num ato sexual, não poupado, também, de episódios psicóticos, vendo a si mesma no corpo de Lily, reforçando, assim, a ideia de que não é a personagem de Kunis realmente ali, mas sim a forma mais plausível que Nina encontrou de tornar “real” o seu cisne negro.

    Mila Kunis em cena Cisne Negro, filme de Darren Aronofky.
    Foto: Reprodução.

    Luxúria, ousadia e impulsividade são os opostos que Leroy buscava despertar em sua aluna, utilizando caminhos condenáveis, como quando se insinuava sexualmente e a seduzia. Aos poucos, Nina desfaz sua personalidade meiga e ingênua – concretizada na emblemática cena do descarte das pelúcias –, e começa a se impor como uma garota crescida, de ações independentes e incomodada com os comportamentos superprotetores da mãe, a ponto de enfrentá-la verbal e fisicamente como nunca havia feito. O cisne branco e o cisne negro, enfim, existiam.

    UM ÚLTIMO ATO INEVITÁVEL

    “Cisne Negro” possui um último ato quase confuso, mas rendido à inevitabilidade do destino buscado por Nina. Chega a noite do espetáculo e nossa protagonista, atormentada e exausta, insiste em se apresentar. Dança belamente e encanta a plateia com sua Odette frágil e amaldiçoada pelo mal do mundo. Antes de se apresentar como a irmã maligna, Nina sofre outro episódio psicótico em seu camarim, e talvez o mais simbólico.

    Mais uma vez, sua metade obscura é concretizada na figura de Lily, que insiste em “tomar o lugar” para conduzir o momento da melhor forma. Era para isso, afinal, que ela havia sido criada. Nina, porém, num ato desesperado, deixa de oscilar entre dois polos e passa a condensá-los em um único movimento, à beira do colapso. Ainda confuso, eu sei…, mas vamos lá:

    Durante todo o filme de Darren Aronofsky, somos apresentados aos polos, aos opostos. Estes são incansavelmente reforçados, seja no “polo branco“, com as atitudes de Erica; seja no “polo negro“, com a perversão de Leroy ou a inveja despertada por Lily. O tempo todo, vemos uma personagem que oscila entre extremos para atender à pressão de si mesma e dos outros em ser perfeita para o papel. Ao “matar” Lily em seu camarim, Nina “assassina” – metaforicamente – as metades que esse tempo todo construiu. E, ao invés de dar lugar à alternância e instabilidade de duas pessoas quase que distintas, ela acolhe as duas partes.

    Em síntese, a busca pela perfeição tornou-se obsessiva ao ponto de fazer com que Nina fosse incapaz de integrar aspectos contraditórios de si mesma. Sob pressão, esse falso equilíbrio se rompe, levando a uma fragmentação do eu acompanhada por sintomas psicóticos. “— É a minha vez!“, grita Nina enquanto espeta o caco de vidro na sósia, com uma raiva reprimida há tempos. Um ódio direcionado muito mais próximo de um ódio próprio manifestado.

    A fusão, agora, não é complementar, mas catastrófica, colapsada. Os opostos, os ideais extremos, coexistem sem mediação. A ferida que Nina provocou em si mesma, seja ela metafórica ou não (afinal, o filme faz questão de deixar o final em aberto), é fruto da rendição a si mesma. Ao se apegar exaustivamente a um propósito desequilibrado, concordou com ações e comportamentos destrutivos, que sangram tão rápido e são tão dolorosos (a curto e longo prazo) quanto um corte de vidro na própria barriga.

    Natalie Portman em cena Cisne Negro, filme de Darren Aronofky.
    Foto: Reprodução.

    A queda de Odette do penhasco na peça faz alusão à queda de Nina na autodestruição. “— Eu senti… foi perfeito” diz a protagonista. E foi. Não porque tenha alcançado a perfeição, mas porque, pela primeira vez, não houve mais divisão, hesitação, nem falha, nem conflito. Apenas o gesto inteiro, absoluto e irreversível. No palco, a plateia aplaude, enquanto o que se consuma ali não é a perfeição da arte: é o colapso de quem já não podia mais sustentar o self. Nina não supera seus opostos; não os equilibra. Ela os esgota.

    E o “perfeito” acaba por não ser uma conquista. Mas o que resta quando não há um alguém para falhar.


    • Veja também: Roteiro ao Avesso – Pobres Criaturas
    Cinema Darren Aronofsky Filmes Natalie Portman Oscar psicologia Roteiro ao Avesso suspense
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    Ronald Aquino
    • Instagram

    Estudante de Psicologia e amante de filmes auto-intitulados complicados ou com dano emocional. Recorrentemente, vê profundidade em tudo e acha que sabe o que o diretor quis dizer baseado no roteiro e na mise-en-scène. @ronaldaquinob

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