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    Katseye: Wild Hearts | Crítica

    Pedro DiasBy Pedro Dias17/08/2026Updated:17/08/2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    O documentário das Katseye vem pra mostrar que nossos artistas favoritos do outro lado da tela também são seres humanos e é fundamental tratá-los de tal forma, porque muitas vezes é fácil ser mau.

    É O FIM DO KATSEYE(?) O grupo feminino global formado em 2023 pela parceria dos GIGANTES da indústria Hybe x Geffen, apesar de novo, já viveu uma extensa trajetória recheada de altos, baixos, premiações e especialmente hiatos.

    Para celebrar o lançamento do mais novo EP do girl group chamado Wild, a banda ganhou um documentário que conta um pouco mais da trajetória das meninas desde o seu debut oficial até os dias de hoje, mas será que a intenção da gravadora realmente é trazer uma carta de amor aos fãs ou apenas silenciar as diversas incertezas que tem rodeado o grupo recentemente? Vem que eu te conto TUDO.

    A Máquina vs. O Sonho: O Sistema de Treinamento

    Uma coisa que, desde os primeiros minutos, esse documentário deixa explícito é que a vida de uma Idol não é fácil. Quem acompanha de perto o universo do Kpop sabe que a tendência da indústria é tratar as integrantes – especialmente as femininas, sem piedade alguma – e com o Katseye não foi diferente.

    Mencionado até mesmo pelas meninas, se engana quem pensa que após o rigoroso treinamento de quase 2 anos seria a parte mais difícil do processo e, agora com uma vaga garantida no grupo, a vida de popstar seria mais fácil. Seguiram sendo horas e horas de treinamentos extensivos de dança e canto, além de uma rigorosa rotina.

    Claro, com o amadurecimento do grupo as exigências também aumentaram. Se no início elas tinham meses para se preparar para um novo single, as meninas agora tem cerca de duas semanas para preparar uma música completa e já embarcam numa tour ou preparam com dias uma apresentação para festivais gigantes como o Coachella.

    Para aqueles que adentraram no mundinho Kpop e tudo que se relaciona com esse universo por meio do Katseye – assim como eu – tudo isso é completamente assustador e desumano, o que explica completamente a necessidade de uma pausa para algumas das integrantes.

    Katseye: Wild Hearts / 2026

    O Fator Humano: As Protagonistas

    Daniela, Lara, Manon, Megan, Sophia e Yoonchae são o centro do documentário, algumas menos, outras mais, mas é possível perceber um esforço para trazer o foco para as meninas. Ouvir um pouco sobre a perspectiva de cada uma sobre essa jornada torna tudo um pouco mais leve e humanizado.

    A sensação quando você já conhece elas – principalmente se você já viu outros conteúdos do girlgroup como entrevistas e aparições coletivas – é que as seis não são exatamente amigas. Sempre olhares e respostas mais duras umas com as outras acontecem, levando a acreditar que nos bastidores as “irmãs” não são tão próximas assim. Porém, o que o documentário nos mostra é que existe definitivamente uma codependência entre elas. Afinal, é impossível passar por toda essa jornada sozinhas.

    Apesar das inúmeras tentativas dos “fãs” de tentarem apontar possíveis protagonismos ou apagamentos de uma integrante ou outra, o documentário tenta ser justo com cada uma, mas é impossível ignorar o fator Manon.


    No dia 20 de fevereiro de 2026 a Hybe soltou uma nota complemente controversa anunciando o início de um Hiato (termo para uma pausa temporária na carreira) da integrante Manon Bannerman por motivos de saúde e mesmo se afastando completamente das atividades – diferente de outros períodos de hiato de outras idols – e mesmo assim insiste em fingir que ela continua no grupo para dar falsas esperanças aos fãs de que um dia ela voltará – e com o documentário não foi diferente.

    Além do hiato da Manon, recentemente outra integrante do Katseye também anunciou sua pausa na carreira. No dia 07 de agosto de 2026, apenas uma semana antes do lançamento do novo EP, Sophia Laforteza também entrou em hiato. Esse fato torna todo documentário ainda mais engraçado e preocupante, pois vemos uma figura de liderança diversas vezes afirmando como aquele grupo é essencial para ela e como ela “não quer parar”.

    Teorias circulam na internet das motivações da gravadora e de cada uma das meninas para ter decidido dar uma pausa na carreira, mas até que sejam divulgadas oficialmente – e provavelmente não vai acontecer – não teremos nenhuma confirmação do futuro das integrantes.

    Katseye: Wild Hearts / 2026

    Aspectos Técnicos e Narrativos

    Como documentário, Wild Hearts cumpre seu papel. Trazendo uma narrativa fluida, o longa costura cada uma das fases do grupo de maneira não linear temporalmente, mas sem se perder nos assuntos ou deixar a linha de raciocínio perdida.

    Ao trazer arquivos pessoais das integrantes e mostrar bastidores de momentos icônicos que os Eyekons (nome do fandom do grupo) só puderam acompanhar de longe trouxe camadas ainda mais interessantes para a experiência de ser fã. Ainda assim, nem tudo são flores.

    Não é preciso ser um especialista em relações públicas para perceber a estratégia da Hybe com esse documentário. É quase como se dissessem: “Olha, a gente sabe que tá tudo um caos, vocês continuam pressionando a gente por respostas mas olha aqui, álbum novo!”. Definitivamente um espaço desperdiçado para entregar o que os fãs realmente precisam: honestidade.

    Wild Hearts: O Novo EP

    Acompanhar com riqueza de detalhes a jornada vivida pelas integrantes do Katseye é completamente interessante. Todo o processo de amadurecimento e tentativa de encontrar o próprio som culminaram diretamente no novo EP. O documentário mostra bem o processo artístico das meninas, desde o fracasso e as pesadas críticas até o sucesso reconhecido merecidamente em premiações. 

    A loucura random e nonsense de Gnarly foi uma resposta direta a reação dos fãs para as interações mais espontâneas e aleatórias das meninas, mas a tentativa de repetir essa fórmula fez o grupo cair num limbo de chacota e músicas sem sentido para tentar alcançar o mainstream, mesmo que isso custe a sua identidade.

    Após sucessos estrondosos como Gabriela e Gnarly, o girlgroup agora traz uma sonoridade completamente nova e bem executada. Eu já conferi o novo EP e o que fica é a sensação de que elas ainda não sabem bem o que são como artistas, mas hoje já tem maturidade o suficiente para seguir em frente.

    Katseye: Wild Hearts / 2026

    Conclusão

    O Katseye é a síntese do que um grupo GenZ seria. Entre altos e baixos, a relação consigo mesma e com a internet influencia diretamente como o artista se sente e define seus próximos passos. Katseye: Wild Hearts também vem pra mostrar que nossos artistas favoritos do outro lado da tela também são seres humanos e é fundamental tratá-los de tal forma, porque muitas vezes é fácil ser mau.

    Lembrando que essa é uma obra para os fãs, que em sua grande maioria é composta por crianças, então se você pensa em ir ao cinema conferir o novo longa, vá psicologicamente preparado para esse fator. Desde cantorias a tiktoks gravados dentro da sala de cinema, pois esse é o jeitinho deles de ser fã, então SEJA GENTIL, você também já esteve no lugar delas.

    No fim, a Hybe não teve culhão para tratar diretamente de temas necessários, mas entrega aos fãs um conteúdo coeso e que agrada e ajuda na manutenção dos fãs na sensação de estar ainda mais próximos de quem eles tanto amam.

    Katseye: Wild Hearts têm exibições especiais em cinemas selecionados.

    • Veja também: Review de Lanternas – Episódio 01
    8.0 Ótimo

    O Katseye é a síntese do que um grupo GenZ seria. Entre altos e baixos, a relação consigo mesma e com a internet influencia diretamente como o artista se sente e define seus próximos passos. Katseye: Wild Hearts também vem pra mostrar que nossos artistas favoritos do outro lado da tela também são seres humanos e é fundamental tratá-los de tal forma, porque muitas vezes é fácil ser mau.

    • 8
    • User Ratings (1 Votes) 8.3
    Cinema crítica filme Filmes Katseye música
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    Pedro Dias
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