De Volta à Bahia não conseguiu entregar algo memorável!
Comédia romântica é sempre uma aposta arriscada, sendo brasileira então… Mais ainda.
Quando funciona, a gente sai do filme ou da série se pegando achando fofa uma cena ou lembrando da química do casal dias depois. Quando não funciona, vira novelão sem sal que causa até uma dor física na hora de assistir. E olha, eu fui assistir De Volta à Bahia torcendo muito pra cair na primeira categoria. Porque no fim das contas, a gente sempre quer que uma experiência seja positiva, né?
Só que não foi bem assim.

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O filme, dirigido por Eliezer Lipnik e Joana di Carso, conta a história de Maya (Bárbara França) e Pedro (Lucca Picon), dois jovens surfistas que se conhecem depois que ele a salva de um afogamento e o vídeo viraliza nas redes. Logo descobrem que treinam com o mesmo ídolo e estão se preparando para o mesmo campeonato em Salvador. É uma premissa simpática, sabe? Tem espaço ali para tensão romântica, drama familiar, aquela energia gostosa de filme de verão, que pode acabar funcionando bem para o streaming.
O problema é que o filme não aproveita quase nada disso, e dá pra perceber isso bem cedo.

Um romance que não convence em nada
O maior tropeço de De Volta à Bahia está no casal, e isso é sério porque numa comédia romântica o casal é tudo. Numa comédia romântica você precisa querer que o casal fique junto, torcer, sentir alguma coisa. E eu não senti nada.
As cenas dos dois juntos têm aquela sensação estranha de que está tudo tecnicamente no lugar, mas falta o que mais importa: a química. As cenas dos dois juntos parecem obrigação. Parece que eles sabem que precisam se apaixonar porque o roteiro manda, não porque faz sentido. Você assiste tudo com uma certa distância… E para uma comédia romântica, esse é o pior dos sentimentos.
E o roteiro ainda faz a sua parte para piorar as coisas.
A trama quer abraçar muita coisa ao mesmo tempo (campeonato de surf, drama com os pais, pressão de carreira) mas não desenvolve nada com a profundidade que merecia. Conflitos que deveriam ter peso surgem e somem em minutos, personagens secundários aparecem sem que você entenda muito bem o que estão fazendo ali, e várias situações forçam tanto a barra que você sai da cena sem acreditar no que acabou de ver.

Salvador salva… Mas não o suficiente
O que salva (e salva de verdade) é Salvador.
A cidade é filmada com um cuidado e um carinho que os personagens não tiveram. A fotografia é linda, tem uma luz naquelas praias que dá vontade de pausar o filme e ficar só olhando. Dá uma vontade genuína de conhecer ou voltar para a Bahia.
Só que aí você volta para a trama e lembra que a cidade está fazendo o trabalho emocional que o casal deveria estar fazendo. E isso diz muito sobre onde o filme errou.
Vale a pena?
No fim, De Volta à Bahia é aquele tipo de filme que tinha tudo nas mãos… e não conseguiu transformar isso em algo que ficasse na memória.
Quer um casal com química, conflitos bem desenvolvidos e uma história que prenda do início ao fim? Esse filme não é para você. Agora, se quiser passar um tempo olhando para as praias de Salvador e sair com vontade de visitar a Bahia, até que vale a pena.
De Volta à Bahia está em cartaz nos cinemas.
- Veja também: Roteiro ao Avesso – Cisne Negro
No fim, De Volta à Bahia é aquele tipo de filme que tinha tudo nas mãos… e não conseguiu transformar isso em algo que ficasse na memória.
