Em Frankenstein Guillermo del Toro acerta na estética, mas não consegue o mesmo encanto em sua trágica narrativa!
Guillermo del Toro é um daqueles diretores que quando anunciam um projeto têm a nossa atenção. E quando ‘Frankenstein’ começou a ganhar forma, nossa expectativa também seguiu pelo mesmo rumo, aumentando cada vez mais. Contudo, estar ansioso por uma obra que teria “tudo a ver” com o diretor talvez não fosse o sentimento correto a ser colocado aqui, e nem tanta expectativa assim!
Desta forma, Frankenstein de Guillermo del Toro é um grande acerto estético, criativo e visual, porém o mesmo não se pode dizer de sua narrativa trágica que demora a engrenar. O resultado é uma obra que nos enche os olhos, mas esquecível ao passo que fechamos o aplicativo da Netflix. Certamente del Toro continua sendo um diretor que ocupa um espaço enorme em nosso coração, porém nem sempre a nossa expectativa bate em compasso com a obra apresentada. Tal e qual criador e criatura da história!
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Victor Frankenstein resolve se aventurar em experimentos audaciosos e criar do zero uma criatura com vida. O que essas tentativas e estudos desencadeiam é uma tragédia tanto para o criador quanto para sua criação monstruosa. Brincar de Deus leva Frankenstein a concretizar suas maiores ambições científicas, mas colocou-o na mira da raiva de sua própria criatura, que, agora, busca por vingança após se ver descartada pelo professor.
Um deleite aos olhos, mas…
Guillermo del Toro dispensa qualquer apresentação diante do seu currículo premiado e repleto de produções que até hoje ocupam nosso imaginário por tamanha genialidade, e personalidade.
E isso é que vemos em cada detalhes do seu ‘Frankenstein’. Visualmente esta é uma produção impecável.
Desde a fotografia, e abraça a atmosfera gótica, os cenários que vão dos monumentais aos mais simples, os detalhes saltam aos nossos olhos. Os equipamentos de Victor Frankenstein são engenhocas Steampunk estilizadas que se encaixam perfeitamente com o tempo em que ocorre a história, de igual modo que o figurino toma liberdade para ser suntuoso, exagerado e ao mesmo tempo construído com singularidade.
Ao mesmo tempo, o design de produção e os efeitos visuais dialogam com maestria, criando momentos em que o prático se mistura ao virtual, tornando tudo ainda mais crível.
Ou seja, del Toro continua sendo um diretor que sabe criar, desenvolver e transformar épocas em universos particulares de suas histórias.
O maior problema aqui está em sua narrativa que demora a engrenar fazendo com que alguns personagens sofram por apenas soarem como participações especiais, e não como peças importantes para o seu desenvolvimento.
E se Mia Goth não tem muito o que fazer, e Oscar Isaac beira o canastrão, sobra para – surpreendentemente – Jacob Elordi entregar uma atuação consistente, cativante, e repleta de significados, sentimentos e tragédia.
Guillermo del Toro acerta na estética, mas não consegue o mesmo encanto em sua trágica narrativa!

…o que nos interessa é a criatura!
Frankenstein busca dar vida a uma criatura que comprove suas teorias de ser possível trazer de volta alguém que já morreu. E após os incentivos certos e a descobertas, ele consegue criar um ser dotado de força, mas de aparente falta de inteligência. Mas ao perceber que talvez tenha cometido um erro, tenta dar fim a sua criação, desencadeando uma vingança que o levará ao limite de tudo!
Adaptar o clássico ‘Frankenstein: ou O Moderno Prometeu’ de Mary Shelley é uma tarefa que muitos já tentaram e trouxeram seu estilo para essa história, alguns tomando liberdades com o texto, outros tentando ser o máximo fiel possível.
Aqui del Toro transpõe as páginas da sua forma, empregando elementos importantes, alterando pontos necessários, mas quando busca discursar sobre as questões que envolvem vida, morte, propósitos e sentidos, tudo se resume a alguns diálogos que não são tão profundos assim. E a sua tragédia em si, só assume uma forma cativante a partir da parte dois, quando temos a história da criatura.
Tudo isso se deve muito a atuação de Jacob Elordi que não se entrega apenas fisicamente, e emprega as emoções necessárias para que o monstro cresça ao passo que aprende a passar por todas as agruras da humanidade. E aí sim, presenteia o espectador com o esperado dessa história.
Logo, o caminho narrativo é tortuoso até chegar ao ponto de vista que realmente nos interessa, o da criatura, mas quando chegamos, que nos leva pela mão é quem está descobrindo o que é viver pela primeira vez, ainda que o seu anseio pelo fim seja muito maior!

E vale a pena assistir?
Frankenstein de Guillermo del Toro é um grande acerto estético, criativo e visual, porém o mesmo não se pode dizer de sua narrativa trágica que demora a engrenar. O resultado é uma obra que nos enche os olhos, mas esquecível ao passo que fechamos o aplicativo da Netflix.
Certamente del Toro continua sendo um diretor que ocupa um espaço enorme em nosso coração, porém nem sempre a nossa expectativa bate em compasso com a obra apresentada. Tal e qual criador e criatura da história!
Frankenstein está disponível na Netflix!
- Veja também: Crítica de O Agente Secreto
Frankenstein de Guillermo del Toro é um grande acerto estético, criativo e visual, porém o mesmo não se pode dizer de sua narrativa trágica que demora a engrenar. O resultado é uma obra que nos enche os olhos, mas esquecível ao passo que fechamos o aplicativo da Netflix.
