O Último Caçador de Bruxas diverte, mas não sustenta uma sequência.
Final de semana, você se acomoda, pega algo para comer, abre o aplicativo de streaming e se depara com a pergunta mais feita nos últimos anos: “o que vou assistir hoje?”. A dica que eu sempre dou é, saiba o que você está precisando e/ou querendo assistir naquele dia. Se você já está enjoado de filmes com temáticas sérias e tem tempo que você não assiste algo mais divertido e cômico, talvez seja uma boa investir algumas horas em uma boa aventura ao invés de um drama.
Dito isso, aqui vai meu questionamento. Por que você escolheria assistir O Último Caçador de Bruxas? Se você espera o seu novo filme favorito, plot twists que te farão pensar por horas ou um roteiro digno de Oscar, talvez você esteja escolhendo o filme errado. Já por outro lado, se você espera explosões, tiros, monstros, magias, frases de efeito e momentos clichês, você fez a escolha certa! Para acertar mais ainda, só escolhendo algum Velozes e Furiosos, mas faltam os monstros e as magias, pelo menos por enquanto. Mas agora você vai ver que O Último Caçador de Bruxas não está tão longe da nossa querida saga de carros.
Fale Mais sobre isso
O filme já começa com uma grande surpresa, Vin Diesal de skin medieval, com direito a barba longa e rabo de cavalo, seguido de uma batalha inicial para apresentar nosso vilão principal e contextualizar um pouco o mundo em que estamos. Não é exagero dizer que os primeiros 25 minutos do filme já nos dão um resumo completo de tudo o que está por vir.
Vamos por partes. Cabe ressaltar aqui que, independente do seu gosto de filmes, há qualidades que precisam ser destacadas. As cenas de ação são muito criativas, talvez abusando um pouco do heroísmo em volto no protagonista, que sem dúvidas é interpretado pelo Vin Diesel, mas disso falaremos mais tarde. A coreografia mistura luta corpo a corpo com as magias apresentadas, criando batalhas dinâmicas e que prendem a atenção. As lutas tem tempo suficiente, sem enrolação, usando bem os efeitos especiais que se fossem mais alongados já começariam a apresentar seus defeitos.
O filme repete em todo o seu roteiro a mesma sequência até a batalha final. Eles encontram uma pista, vão atrás de alguém, uma batalha acontece, eles descobrem uma nova pista, vão atrás de mais alguém e assim tudo ocorre. Mas os efeitos, quando bem usados, junto com os pequenos trechos de comédia e as cenas de combate conseguem manter tudo interessante mesmo quando o padrão já se torna perceptível.

No final é sobre o Vin Diesel
A interação entre os personagens não é das melhores. A tentativa de criar um laço sentimental é completamente falho, mas cada personagem apresenta ter uma utilidade para um grupo, tal qual um bom RPG, algo que sem dúvida foi inspiração para a criação de mundo do filme. Imagino eu que a intenção seria aproveitar o que foi apresentado do universo de magia para aprofundar em uma, ou algumas, sequências, visto a quantidade de referências a outros mundos mágicos, feitiços, conceitos e até personagens ou grupos inteiros de outros universos é nítida. Não é uma falha, visto que o filme apresenta algumas coisas legais, mas é mais do mesmo.
Os efeitos são sem dúvida alguma o ponto alto do filme, tanto efeitos práticos como a maquiagem de alguns personagens, quanto o CGI em algumas cenas de magia, digo algumas nos dois casos pois enquanto temos cenas que surpreendem, também temos cenas que o CGI e a maquiagem espantam ao ponto de nos desconectar do filme, mas talvez o orçamento de 90 milhões justifique isso.
No final, sejam as cenas de luta, os momentos de comédia ou a criação do universo, tudo gira em torno de um personagem, ou melhor, de um ator. Vin Diesel chega nesse longa não só atuando o protagonista, mas também como um dos produtores e assim como nos últimos Velozes e Furiosos, é perceptível os momentos em que ele colocou o dedo no roteiro e alterou alguma coisa para criar uma cena mais “badass” para o seu personagem.

E Vale a pena Assistir?
Não é loucura dizer que O Último Caçador de Bruxas é um filme do Dominic Toretto em um mundo que mistura Harry Potter, D&D e The Witcher. O filme abusa dos clichês e tenta criar um novo personagem icônico para o cinema na intenção de guiar uma legião de fãs, pena que falta o personagem icônico.
O final nitidamente deixa explicito que um novo filme surgiria, filme esse que já foi confirmado, mas considerando que o que salva o primeiro filme é a qualidade dos efeitos, e que o primeiro filme teve uma arrecadação de 147 milhões custando 90 milhões, será que essa mesma qualidade estará presenta na sequência? Ao menos já sabemos o que esperar, mais frases clichês e mais cenas mostrando o Vin Diesel como herói badass.
O Último Caçador de Bruxas está disponível na Globoplay
- Veja também: Crítica de Demon Slayer – Castelo Infinito
Não é loucura dizer que O Último Caçador de Bruxas é um filme do Dominic Toretto em um mundo que mistura Harry Potter, D&D e The Witcher. O filme abusa dos clichês e tenta criar um novo personagem icônico para o cinema na intenção de guiar uma legião de fãs, pena que falta o personagem icônico.
