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    F1 | Crítica

    Daniel Alves MendesBy Daniel Alves Mendes01/09/2025Nenhum comentário6 Mins Read
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    F1 tinha tudo para ser um filme perfeito, mas falha na última curva

    Dentro do gênero de ação e drama, os filmes de esporte se consolidam como um subgênero à parte, sendo usado ou como tema principal ou como um contexto ao qual o roteiro apresentará sua história. Várias obras dos mais variados tipos já inseriram seus personagens em jogos, campeonatos e desafios, tanto pessoais quanto coletivos, para nos cativar com algo que o esporte tem de sobra, adrenalina!

    Seja abusando da emoção do esporte como em Haikyu ou usando do contexto para contar uma história como em Ford VS Ferrari, a competição tem a magia de nos motivar coletivamente em prol de algo único, a vitória.

    F1 entende isso. Há anos Fórmula 1 já não é um dos esportes mais acompanhados pelos brasileiros, mas isso não é um problema para a obra.

    O filme dirigido por Joseph Kosinski, de Top Gun: Maverick, começa apresentando sua melhor cartada, Sonny Hayes, um ex-piloto no maior estilo lobo solitário interpretado por Brad Pitt. Só isso já foi o suficiente para fazer qualquer fã de cinema se interessar pelo filme e, talvez, isso não tenha sido a melhor das escolhas, mas vamos por partes.

    Fale Mais Sobre Isso

    Sonny, que em sua época de ouro era um prodígio mundial, é convidado a voltar a correr na Fórmula 1 para ajudar um amigo. Esse retorno tardio é perfeito para que o filme apresente tudo daqui para frente. Sonny chega em sua equipe quase como um completo estranho e começa a ser apresentado a esse novo mundo tecnológico das corridas, momento perfeito para apresentar a nós, que podemos não entender tão bem esse mundo, o necessário ideal para nos sentirmos parte do filme.

    Lembra que comentei que a Fórmula 1 já não é um esporte tão acompanhado no Brasil? É nesse sútil detalhe que está a mágica de tantos filmes de esporte e que esta obra faz perfeitamente. Você pode nunca ter acompanhado vôlei, boxe ou futebol, mas é necessário somente uma partida para que nós entendamos todas as regras que vão nos acompanhar.

    Aqui, você não precisa saber o que é um pit stop ou quais são todas as peças de um carro de corrida, tudo o que precisamos é apresentado no momento certo, seja mostrado ou dito.

    Rivais e a dinâmica conhecida

    Tendo nosso protagonista, o esporte e as regras do jogo, o que falta? Um objetivo e um rival. Infelizmente, como não se ganha todas, o filme também mostra seus defeitos no início. Com um conceito interessante, aqui o vilão não é um campeão consolidado, na verdade nosso antagonista será um parceiro de equipe, Joshua Pearce, interpretado muito bem pelo britânico Damson Idris.

    A relação de Joshua com Sonny é curiosa, uma estrela em ascensão contra uma lenda enterrada. Mas mesmo sendo uma ideia interessante e curiosa e mesmo com atores muito bons, essa rivalidade não é das melhores, justamente por que ela surge do completo nada. Não acredito que o fato de serem colegas de equipe atrapalhe a rivalidade, até por que um conceito interessante desses poderia ser muito bem aprofundado, mas não há um estopim para a rixa, ela simplesmente existe para tentar trazer uma carga maior para o filme.

    Se ganhar do rival, já que ele é um parceiro de equipe, não é o nosso objetivo principal, então qual é? Bom, isso o filme também não deixa certo. Pode ser ganhar uma corrida, tirar a equipe da falência ou, simplesmente, se superar. O filme é inteligente em apresentar constantemente vitórias e derrotas, a cada corrida estamos mais perto de ser o primeiro a cruzar a linha de chegada, a cada volta temos um novo desafio, mas a obra peca em não definir qual o objetivo final e o processo acaba sendo muito mais interessante do que qualquer coisa.

    Mas se temos um filme de esporte sem vilão e sem objetivo final, o que faz F1 merecer receber tantos elogios? Duas coisas, sendo a primeira a direção fantástica, e a segunda, simplesmente o Brad Pitt.

    F1 / Warner Bros Pictures Brasil

    Emoção e técnica se fundem

    O filme intercala muito bem entre cenas dentro e fora das corridas, de forma que as cenas de diálogo fora das corridas são simples e curtas, poupando tempo para as cenas emocionantes e bem produzidas de dentro das corridas, onde a produção é simplesmente impecável e a direção é assombrosa de fascinante.

    É aqui onde vemos a magia do cinema na sua forma mais pura de arte, quando emoção e técnica se fundem. Você pode nunca ter se interessado minimamente por Fórmula 1, mas é impossível sair desse filme sem querer procurar mais sobre, ou mesmo que você não goste de assistir a essas corridas, mas você sem dúvidas sentirá um frio na espinha com cada curva.

    Cada ultrapassagem faz o nosso pé tremer, cada derrapagem faz com que nos preocupemos com os personagens. A sensação de velocidade, os impactos, o som, é tudo usado com perfeição. Vale aqui um elogio especial a toda a trilha sonora e direção de som que é espetacular!

    Alguns outros personagens são apresentados como parte da equipe e aqui cumprem muito bem seu papel, de forma que quando são inseridos em alguma cena nós automaticamente já entendemos o contexto do momento e a razão deles estarem ali, se um personagem é apresentado como membro da equipe de pit stop, somente em momentos de pit stop ele aparecerá, dando mais tempo ainda para as corridas e para a segunda coisa que faz esse filme ser elogiado: Brad Pitt.

    Aqui chegamos ao problema principal do filme. A obra segue muito bem o mesmo padrão de outras obras de esporte. Temos os treinamentos, a evolução dos personagens, uma triste derrota e o incrível retorno. Mas o climax de Fórmula 1 não se encontra no final. Até a primeira metade do filme temos muito mais cenas emocionantes do que a segunda metade, parece que tudo o que era elogiado quanto à produção e direção ficou estagnado e finalizaram o filme da forma mais básica possível.

    Um artifício incrível como uma lesão, ou aqui, um grave acidente, é usado mais de uma vez e sem impacto nenhum na obra. A rivalidade? Some simplesmente por que um final com a equipe unida seria mais bonito. Os desafios apontados? Desaparecem na primeira curva.

    F1 / Warner Bros Pictures Brasil

    E vale a pena assistir?

    F1 é praticamente perfeito até o momento que ele se propõe a ser.

    Ele tenta, e consegue, ser grande demais para um filme que poderia ser simples, afinal de contas não estamos falando de um ator qualquer, estamos falando do Brad Pitt. Mas depois de tantos minutos de emoção, recebemos um final ótimo no básico, sendo que o que queríamos, definitivamente, não era algo básico.

    F1 está em cartaz nos cinemas!

    • Veja também: Um Homem Abandonado
    8.0 Ótimo

    F1 é praticamente perfeito até o momento que ele se propõe a ser.
    Ele tenta, e consegue, ser grande demais para um filme que poderia ser simples, afinal de contas não estamos falando de um ator qualquer, estamos falando do Brad Pitt. Mas depois de tantos minutos de emoção, recebemos um final ótimo no básico, sendo que o que queríamos, definitivamente, não era algo básico.

    • 8
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