Ameaça no Ar busca ser criativo, mas é tão ruim que nem percebemos isso!
Os 8 Odiados, O Culpado, Jogos Mortais, O Iluminado e outros filmes de tanto sucesso nos mostram que é possível criar um longa criativo, inovador e com muita qualidade mesmo usando poucos cenários ou até mesmo somente um espaço para gravações. Ameaça no Ar é mais um desses filmes que se passa majoritariamente no mesmo espaço. A diferença é que Ameaça no Ar é ruim.
Mel Gibson retorna à direção sendo lembrado pelo incrível Até o Último Homem (2016) e trazendo muito ânimo para Ameaça no Ar que teria em seu elenco o famoso, mas não tão bom, Mark Wahlberg. Mas, parece que todo seu talento foi usado em Até o Último Homem, restando somente uma ideia e um sonho para este filme que falece de criatividade, direção, atuação e tudo que pode envolver o universo do cinema.
Críticas negativas para esse filme são tantas que beira o inimaginável, então vamos nos atentar às piores!

Destrinchando o que é ruim
Direção: tão perdida quanto um avião sem piloto.
O filme tenta usar do ambiente para criar uma sensação de perigo eminente, mas acerta o próprio pé ao criar um espaço completamente desinteressante. O avião sobrevoando uma área inabitada poderia ser facilmente substituído por um carro em uma estrada abandonada ou qualquer outra coisa que simplesmente não faria diferença alguma. As câmeras são muito mal aproveitadas. O espaço é pouco crível, não te dá a sensação de que um avião daqueles sequer existe e as cenas de ação são boas e realistas tal qual um ato de palhaços se batendo em um circo. Mas se o roteiro não agrega em nada, então ao menos o texto será bom, certo? Bom.
Roteiro: Nem só de ideias vive o cinema
A sinopse do filme pode parecer, talvez, para alguns, um pouco, interessante. “Um oficial federal dos Estados Unidos embarca em pequeno avião com a missão de escoltar um foragido do governo até Nova York. Durante o trajeto sobre as áreas remotas do Alasca, entre surpresas e traições, o clima fica cada vez mais tenso.” Porém, o roteiro de Jared Rosenberg é tão desenvolvido quanto um seminário de ensino fundamental e a direção do Mel Gibson que beira o amadorismo é tão empolgante quanto ver fila de banco. No meu imaginário, alguma pessoa comentou esta sinopse e imaginaram que só isso já seria o suficiente para um filme que seria bom por “não se levar a sério”, sendo que até roteiros pensados neste intuito são escritos de maneira séria. Um texto de comédia é escrito de maneira centrada e séria para que as risadas sejam alcançadas. Aqui o roteiro aparenta ter sido escrito com risadas, gerando um roteiro sem o menor pingo de credibilidade. Com essa noção do roteiro humorado do filme que vamos falar sobre.
Comédia: quando nem mesmo os defeitos são engraçados.
Também na Prime Video temos disponível o filme Chefes de Estado, que como comentei em outra crítica, se torna divertido a partir do momento em que nós percebemos que o filme não se leva a sério, garantindo muita diversão. Em contrapartida, Ameaça no Ar tenta (e falha) utilizar do seu humor medíocre já nos primeiros minutos de filme e falha em ser minimamente interessante nos outros 80 minutos. A escolha de personagem para alívio cómico não faz o menor sentido, as piadas são usadas em contextos sem sentido, gerando muito mais dúvida e indignação do que surpresa. O Topher Grace, conhecido pelo papel de Venom em Homem Aranha 3, parece se entregar muito para um papel que nitidamente não daria certo por seu próprio princípio. Topher atua o personagem alívio cómico que é, ao mesmo tempo, o foragido escoltado cuja razão por seus crimes é banalmente explicada… Nada auxilia o humor desse filme, nem a direção, nem o roteiro, nem os diálogos. A única coisa que minimamente conseguiu me tirar a menor risada possível foi o Mark Wahlberg, unicamente por não acreditar que sua atuação fosse tão ridícula de propósito.
Atuação: de mal à pior.
Já tendo explanado sobre o horrível desempenho de Topher Grace, nos resta comentar sobre Mark Wahlberg. Entre tantos filmes de comédia que Mark já atuou, como Ted, Pai em Dose Dupla e Os Outros Caras, quem diria que ele seria a parte cómica de um filme de “ação e suspense” por conta da sua atuação pífia. Aqui ele atua o clichê do capanga malvado, sem escrupulos e com nítida psicopatia. Mirando nisso e acertando tanto quanto um arqueiro com 10 graus de miopia mirando em um pássaro no ar, Mark entrega algo que sem dúvidas manchará o restante da sua carreira.

E Vale a Pena Assistir?
Entre tantas cenas mal feitas, ideias sem sentido e desinteresses, somente o tempo curto me animava para terminar essa tragédia, mas o filme tem 90 minutos e parece ter mais de 3 horas, sendo o entretenimento de um reels do instagram nossa maior tentação durante esses minutos que parecem horas. Sempre elogio filmes que sabem aproveitar o tempo que tem, sem se alongar ou utilizar de cenas desnecessários.
Mas Ameaça no Ar é um filme desnecessário por completo, servindo somente para você saber o que não fazer ao cogitar em dirigir, roteirizar, produzir ou atuar em um filme!
Ameaça no Ar está disponível no Prime Video.
- Veja também: Review de Montando a Banda da Netflix
Ameaça no Ar é um filme desnecessário por completo, servindo somente para você saber o que não fazer ao cogitar em dirigir, roteirizar, produzir ou atuar em um filme!
