Amores Materialistas não é uma comédia romântica convencional e também não é um filme sobre triângulo amoroso.
Amores Materialistas não é uma comédia romântica convencional e, definitivamente, não é um filme sobre triângulo amoroso.
Na verdade, não é nada do que os trailers e marketing venderam. Mas isso não quer dizer que é ruim. Muito pelo contrário, eu gostei bastante. Desde a primeira cena do filme, que não é nada do que eu esperava, já pressentia que esse filme não seria como as comédias românticas dos anos 2000 que eu, particularmente, tanto amo.
Acho que, antes de qualquer coisa, deveria dizer que esse filme pode apresentar gatilhos em algumas pessoas, pois trata também de violência sexual.
Celine Song e o Amor
Celine Song retorna depois do estrondoso sucesso de seu primeiro longa, Vidas Passadas, com Amores Materialistas, falando mais sobre um assunto que, aparentemente, a fascina: o amor. O filme acompanha Lucy (Dakota Johnson), uma casamenteira que se vê juntando pessoas enquanto sua vida amorosa continua parada até que, na mesma noite, ela conhece Harry (Pedro Pascal), um homem perfeito ou, como chamado no filme, um unicórnio e esbarra em seu ex-namorado, John (Chris Evans).
Assim como em Vidas Passadas, Celine Song decide filmar em 35mm e isso traz muita beleza para o filme. A fotografia de Shabier Kirchner, que continua sua colaboração com a diretora depois de seu primeiro longa, auxilia ainda mais a narrativa em relação aos seus personagens, as cenas no apartamento de Harry são gravadas mostrando sempre toda a grandiosidade do local e, assim, nos mostrando a grandiosidade de seu personagem.
O roteiro, também de Celine Song, é muito inteligente e traz sacadas muito interessantes, especialmente nas cenas onde Lucy está conversando com seus clientes e ouvindo as absurdidades que saem das bocas deles. Temos aqui também uma personagem que nunca esconde quem ela é, pro bem e pro mal, a Lucy de Dakota Johnson deixa claro desde o início que é uma pessoa, extremamente, materialista e como isso traz fim ao seu relacionamento com John e o início de seu relacionamento com Harry.

Conduzindo figuras
Celine Song dirige muito bem seus atores, trazendo química onde é necessário e criando uma falta de química monumental entre dois personagens onde parecia ser impossível isso acontecer.
Pedro Pascal está charmoso e adorável como sempre, seu Harry realmente é um unicórnio, é difícil acreditar que alguém como ele exista no mundo mas, em momento nenhum, essa é uma descrença que atrapalha o filme, muito pelo contrário, nos torna ainda mais investidos na trama. Chris Evans chega com simplicidade mas é uma simplicidade que enriquece seu John, ele tem uma paixão muito grande por sua arte e se recusa a abrir mão de algo que ele ama tanto, mesmo que isso custe o conforto em sua vida.
Dakota Johnson está muito a vontade no papel de Lucy, ela traz camadas muito interessantes para uma personagem que poderia facilmente ser lida como uma mulher mesquinha, em momento nenhum seus “defeitos” nos afastam dela, na verdade, são esses “defeitos” que nos aproximam ainda mais da personagem e nos fazem enxergar o quão humana ela é. Gostaria também de ressaltar o trabalho primoroso de Zoë Winters como Sophie, uma das clientes de Lucy que está em busca de um amor pra chamar de seu e ainda não encontrou, mesmo depois de conhecer diversos pretendentes diferentes. Sua Sophie é tão delicada, humana e boa, é impossível não se emocionar com ela e querer entrar na tela de cinema e abraçar essa mulher.
O filme tem seus momentos engraçadinhos, mas não é a comédia que os trailers promete ser, então já vá com isso em mente para não se decepcionar. Aborda assuntos pesados e delicados e traz reflexões sobre como o amor deve ser e como ele de fato é. É um filme bastante realista, que retrata a vida como ela é, mas também traz aqueles elementos que tanto amamos das comédias românticas de décadas passadas e que estão tão escassas hoje em dia. Por favor, voltem com as comédias românticas, eu imploro.

E vale o Ingresso?
Em Amores Materialistas, Celine Song faz o que ela faz de melhor: falar sobre o amor e nos fazer sentir. Acho que essa é a palavra chave desse filme: sentir. Ela nos relembra de momentos que já vivemos em nossas vidas, abre questionamentos sobre coisas que nós achávamos já ter a resposta travada e abre um caminho de esperança para o que vem por aí.
É um filme que muitas pessoas não vão gostar do desfecho, mas que atire a primeira pedra quem nunca esteve apaixonado antes.
Um adendo também: Os créditos do filme são, praticamente, uma extensão da narrativa principal, mas você precisa prestar bastante atenção para ver o detalhe que a diretora coloca.
Amores Materialistas está em cartaz nos cinemas
Veja também: O Casamento do Meu Melhor Amigo vai ganhar continuação
Em Amores Materialistas, Celine Song faz o que ela faz de melhor: falar sobre o amor e nos fazer sentir. Acho que essa é a palavra chave desse filme: sentir.
