Olympo repete fórmulas, acerta no estilo, mas não é memorável!
Olympo chegou à Netflix como a nova aposta dos criadores de Elite, ambientando sua trama em um centro para atletas de alto rendimento nos Pirineus. O foco recai sobre jovens esportistas em busca de glória — e de um contrato com a marca fictícia que dá nome à série — enquanto enfrentam desafios físicos, emocionais e éticos no competitivo mundo esportivo. A produção mistura drama, erotismo e uma pitada de mistério.
Apelo, dramas e corpos padronizados
À primeira vista, Olympo parece apostar fortemente no apelo sexual. Temos um grupo de jovens atletas extremamente dentro dos padrões estéticos e com os hormônios à flor da pele. A série realmente abusa disso — e tem uma desculpa perfeita: afinal, são atletas, não é mesmo? Há inúmeras cenas com roupas coladas ao corpo (quando há roupas), e o sexo beira o explícito.
O erotismo, aqui, é quase um personagem principal. A fotografia potencializa ainda mais esse aspecto, em imagens que lembram comerciais de luxo: corpos seminus em câmera lenta são uma constante e, para muitos espectadores, funcionam como uma sedução visual desde os primeiros minutos.
No entanto, por trás dessa sexualização exagerada, Olympo também tenta abordar temas relevantes e controversos do universo esportivo: doping institucionalizado sob o pretexto de treino científico, homofobia dentro do ambiente de competição, e a pressão incessante por resultados — a ideia de “vencer a qualquer custo”. Um dos destaques é Roque, jogador de rúgbi assumidamente gay.
Após se declarar publicamente em uma entrevista pós-jogo, Roque entra em conflito com um colega ainda no armário, revelando as dificuldades da convivência LGBTQ+ em ambientes competitivos. Já Amaia, a protagonista, é movida por uma ambição que beira a desumanização — e isso é tanto um ponto de tensão quanto uma frustração narrativa.

Velhos vícios dos dramas “adolescentes”
Apesar da estética sofisticada e dos temas provocativos, Olympo tropeça em velhos vícios dos dramas adolescentes: desenvolvimento superficial de personagens, comportamentos exageradamente clichês e uma insistência em colocar todos os conflitos sobre atitudes moralmente duvidosas.
Não há real profundidade emocional e, quando parece que haverá, o roteiro ignora qualquer traço de evolução dos personagens, fazendo-os repetir os mesmos erros apenas para conduzir a trama a determinado ponto.
O enredo é fraco, os personagens carecem de motivações críveis e muitas situações soam forçadas, servindo apenas para justificar mais uma sequência sensual. A sensação é de que, mesmo com bons temas nas mãos — raramente explorados em produções do gênero — Olympo prefere seguir pela via fácil do apelo sexual. Isso até pode atrair visualizações, mas não deixa nenhuma marca duradoura.

E Vale a Pena Assistir?
No fim, para quem busca um entretenimento rápido, visualmente chamativo e ideal para maratonar sem grandes expectativas, Olympo cumpre seu papel. Mas quem procura uma trama sólida, personagens memoráveis e coerência dramática, pode se sentir frustrado. O dilema central — vencer a qualquer custo — é atual e relevante, mas infelizmente não é tratado com a profundidade que merece. Olympo acerta ao tentar renovar o gênero teen drama, trazendo temas como esportes de alto rendimento, doping, homofobia e ambição corporativa.
Há momentos de empolgação, principalmente quando o mistério e os dilemas éticos ganham espaço. A série é visualmente estilosa e conta com atuações minimamente competentes (em alguns casos). Ainda assim, escorrega ao optar por escolhas exageradas, sacrificar a complexidade emocional e apresentar personagens com motivações frágeis e mal desenvolvidas.
Olympo está disponível na Netflix
- Veja também: Crítica da última temporada de Round 6
Olympo repete fórmulas, acerta no estilo, mas não é memorável!
