Vale Tudo de Manuela Dias é mais uma paródia do que um remake do clássico de 1988!
Realizar novas versões de obras que se tornaram clássicas dentro da cultura pop é um desafio enorme. Justamente pelo fato dessas produções estarem na memória afetiva do espectador e pertencerem a épocas que quando surgiram, se tornaram emblemáticas. E Vale Tudo de 1988 trouxe não apenas figuras que até hoje permeiam a nossa cultura, como retrata algo bem brasileiro: o jeitinho! Contudo, haviam muitos problemas à vista quando anunciado o seu remake, e muito deles foram confirmados ao longo de sua exibição.
Desta forma, Vale Tudo de 2025 soa mais como uma paródia do que um remake do clássico de 1988. A construção e desconstrução de personagens, as mudanças repentinas de roteiro, a não conclusão de arcos e a falta de direcionamento nas histórias, marcaram essa versão que diminuiu a presença de sua protagonista, enalteceu o carisma de sua vilã, e se sustentou a base de publicidades que atrapalhavam diálogos que poderiam ser importantes na narrativa. E tudo isso, atrelado a uma direção que mal sabia como conduzir uma câmera, uma edição realizada de forma amadora e a pretensão descabida de uma emissora ao pensar que estava entregando um novo clássico. Pelo menos nisso a globo acertou, em usar o jeitinho brasileiro para tentar persuadir o público que esta seria uma versão tão maravilhosa quanto a original!
Mal eles sabiam que Manuela Dias faria o caminho contrário!
Vamos começar pelo fim
Se em 1989 o Brasil parou para assistir ao último capítulo de Vale Tudo e finalmente saber quem matou Odete Roitman, desta vez algumas pessoas mal sabiam que o folhetim das nove atual estava chegando ao fim.
E que final desconexo, mal escrito, e conduzindo de forma amadora.
Os cortes eram secos, sem transição, muito menos com aviso de passagem de tempo. Personagens deixados de lado, e diálogos que parecem ter sido assinados pela assessoria do Governo Federal. Faltando apenas a frase: “Brasil, união e reconstrução”!
Ao chegar neste momento a gente percebe a falta de comando, controle e decisões assertivas da autora, que tinha apenas uma tarefa, transpor para os dias atuais o excelente texto de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, que souberam como criar o suspense para o grande mistério de quem matou a maior vilã das novelas brasileiras.
Porém quando observamos o capítulo não encontramos nenhuma idealização consistente para trama chegar no momento de revelação de forma arrebatadora, e quando ocorre, se você piscar, ou levantar para pegar uma água na cozinha, já aconteceu. E novamente, corte, e mais sequências felizes de personagens que a gente já sabia o que havia acontecido, mas a autora busca novamente uma repetição de informações.
Logo, a novelista opta em deixar sua Odete viva, uma escolha arriscada, contudo, seguindo a expectativa previsível da maior parte do seu público! Ou seja, Manuela Dias não se arrisca, não inova e esquece do que realmente importava em Vale Tudo de 1988, surpreender!

Taís Araújo, Débora Bloch e Bella Campos, a trindade que sustentou o insustentável
Talvez Vale Tudo poderia amargar ainda mais no hall das piores novelas das nove se não tivesse um trio de atrizes que foram ganhando cada vez mais força ao longo da trama.
Por conta do texto? Não, porque são talentosas, e até mesmo com diálogos que duravam 15 segundos de tela, conseguiam comprovar sua grandeza. Sim, a presença em tela do trio foi muito maior do que a construção em si de suas personagens dentro da narrativa.
Se no início Bella Campos foi execrada por sua Maria de Fátima, no decorrer da trama a atriz não apenas sustentou sua vilania, mas acrescentou camadas, e brincou com os atos dissimulados de sua personagem entregando ao final uma figura capaz de nos arrancar sorrisos nos momentos menos apropriados.
Já Taís Araújo, que dispensa apresentações, manteve sua Raquel concisa e firme ao longo dos capítulos, apesar da redução vergonhosa de sua presença em tela. Simplesmente colocada em situações cada vez mais caricatas, Taís mostrou sua versatilidade, e capacidade de criar muito com tão pouco que lhe era dado. Se as frases eram canastronas, ela as tornava emblemáticas, se os acontecimentos beiravam o incoerente, a atriz ia além com seu tom de voz, postura e olhar. E por mais que a autora ainda tentasse apagar Raquel, Taís emergiu muitas vezes indo além do texto medíocre que lhe era entregue!
Por fim, se existe um nome que foi capaz de tornar tudo melhor, por conta de sua presença, foi Débora Bloch. Odete foi de carismática à detestável, de amigável à tirana, da representação do brasileiro dos anos 80 para muitos que encontramos atualmente nas ruas. Novamente, a veterana das produções brasileiras, fez muito com tão pouco, deixando claro que desta vez era impossível matar Odete Roitman. E suas frases ecoaram, foram repetidas, viraram meme, e muitas vezes até torcemos por suas ações (Algo bem questionável), fazendo então o esperado de uma personagem, que nitidamente, mais uma vez, precisou ir além de um roteiro que mais parecia ter sido escrito por inteligência artificial.

Não me convidaram para esta festa pobre
“Ah, mas tudo foi um desastre?”
Vale Tudo de 2025 abraçou de vez o famoso: Fale mal, mas fale de mim! Virou pauta de discussões, perfis de fofoca e lógico, dos programas vespertinos. E tudo isso por sua trama envolvente? Não, pelas falhas constantes em um roteiro mais perfurado que a parede do quarto de hotel da Odete.
Sem contar que Heleninha teve sua problemática reduzida, tia Celina mudou de água para H2O, e outros personagens, receberam finalizações de arcos com duas ou três frases de efeito, alguns na praia, outros em meio a um casamento, outros com tornozeleira eletrônica. E a profundidade dessas personas? Fica para uma próxima vez, pois houve espaço para bebê reborn, “fica rico e fica probe” tal qual ‘O Auto da Compadecida’, e um “festival” de pessoas armadas da maneira mais absurda possível.
E sabe quando a Gal canta logo no início canção de abertura: “Não me convidaram para esta festa pobre…” ?, percebe-se que era melhor não ter sido convidado mesmo.

E aí, acabou?
Ao final, Vale Tudo de 2025 soa mais como uma paródia do que um remake do clássico de 1988. A construção e desconstrução de personagens, as mudanças repentinas de roteiro, a não conclusão de arcos e a falta de direcionamento nas histórias, marcaram essa versão que diminuiu a presença de sua protagonista, enalteceu o carisma de sua vilã, e se sustentou a base de publicidades que atrapalhavam diálogos que poderiam ser importantes na narrativa.
E tudo isso, atrelado a uma direção que mal sabia como conduzir uma câmera, uma edição realizada de forma amadora e a pretensão descabida de uma emissora ao pensar que estava entregando um novo clássico. Pelo menos nisso a globo acertou, em usar o jeitinho brasileiro para tentar persuadir o público que esta seria uma versão tão maravilhosa quanto a original!
Mal eles sabiam que Manuela Dias faria o caminho contrário!
Vale Tudo de 2025 e a versão de 1988 estão disponíveis no Globoplay
- Veja também: Crítica de Eu e Meu Avô Nihonjin
Vale Tudo de 2025 soa mais como uma paródia do que um remake do clássico de 1988. A construção e desconstrução de personagens, as mudanças repentinas de roteiro, a não conclusão de arcos e a falta de direcionamento nas histórias, marcaram essa versão que diminuiu a presença de sua protagonista, enalteceu o carisma de sua vilã, e se sustentou a base de publicidades que atrapalhavam diálogos que poderiam ser importantes na narrativa. E tudo isso, atrelado a uma direção que mal sabia como conduzir uma câmera, uma edição realizada de forma amadora e a pretensão descabida de uma emissora ao pensar que estava entregando um novo clássico. Pelo menos nisso a globo acertou, em usar o jeitinho brasileiro para tentar persuadir o público que esta seria uma versão tão maravilhosa quanto a original!
Mal eles sabiam que Manuela Dias faria o caminho contrário!
