Tremembé é uma produção bem ruim que não consegue, de forma alguma, trazer profundidade aos personagens.
Toda vez que surge uma produção de ficção brasileira que tem a pretensão de retratar criminosos famosos, a crítica mais recorrente é que é um absurdo dar mais notoriedade a pessoas que cometeram crimes tão monstruosos. Isso é uma grande baboseira — a maioria das pessoas ama true crime, e isso é perceptível pelo alto volume de produções relacionadas atualmente. Então, quando surge Tremembé, que reúne os criminosos mais midiáticos do Brasil, fica a dúvida: será uma chance de mostrar outro lado dessas pessoas ou apenas mais um entretenimento vazio?
A série Tremembé, que estreou no Prime Video em outubro de 2025, explora o cotidiano de uma penitenciária paulista conhecida informalmente como “prisão dos famosos”, que abrigou condenados de enorme repercussão na mídia brasileira. Baseada em livros-reportagens de Ullisses Campbell — como Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido e Suzane: Assassina e Manipuladora — a trama mistura fatos reais com narrativa ficcional. A proposta é ousada: apresentar não apenas os crimes que chocaram o país, mas o que ocorre “de dentro”, no cárcere, entre detentos que se tornaram figuras públicas.

Não devia, mas parece novela
É importante começar dizendo que Tremembé não foca nos crimes e nas investigações, mas sim no ambiente carcerário e nas rotinas de detentos conhecidos — seu convívio, suas estratégias de poder e adaptação. Essa “lente” permite novas reflexões sobre justiça, fama e o que significa cumprir pena quando se carrega uma identidade midiática.
Inicialmente, essa proposta parece realmente interessante. Existem diversos conflitos, jogos de interesse, politicagem e manipulações que fizeram — e ainda fazem — parte da rotina carcerária, e isso poderia ajudar a compreender melhor essas personalidades tão conhecidas em âmbito nacional. Mas a série peca, e muito, ao tornar a narrativa extremamente novelesca.
Em determinados momentos, eu me pegava mais rindo das situações do que me chocando, mesmo sabendo que quem estava sendo retratado em tela era um assassino cruel. A trilha sonora, digna de novela das sete, tem o poder de deixar tudo cômico, a ponto de fazer o público esquecer quem são aquelas pessoas.

Existem alguns (poucos) acertos!
Há, no entanto, coisas boas a se pontuar.
O trabalho de caracterização dos personagens é fantástico — todos eles são extremamente parecidos com quem são na vida real.
Também é possível destacar algumas atuações, talvez apenas as dos criminosos protagonistas, em especial Marina Ruy Barbosa e Carol Garcia, que interpretam Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga. Por outro lado, algumas atuações destoam completamente, como a da juíza, totalmente afetada, e a da diretora da penitenciária, que mais parece ter saído de uma sitcom brasileira meia-boca.

E vale a pena assistir?
No geral, Tremembé é uma produção bem ruim. Não consegue, de forma alguma, trazer profundidade aos personagens, nem oferecer algo realmente relevante ao público, além de colocar o nome dessas pessoas novamente “na boca do povo”. E mesmo se você se esforçar, não consegue ver nada além de um melodrama carcerário bem mais ou menos.
Diante do que poderia ter sido, esperava-se algo que se debruçasse muito mais em ambientar essas pessoas em um contexto prisional, mostrando aspectos que não conhecemos e abrindo espaço para discussões sobre fama, punição, identidade e isolamento.
Além, é claro, das questões éticas e morais: até que ponto as pessoas merecem uma segunda chance? Afinal, a série assume o risco de retransformar dor em entretenimento, de suavizar os traumas das vítimas ou de cair em um procedimento dramático padrão. Para quem viveu ou acompanhou midiaticamente os casos, o frescor da narrativa é bem raso.
Tremembé está disponível na Prime Video.
- Veja também: Crítica de Pokémon Legends: Z-A
Tremembé é uma produção bem ruim. Não consegue, de forma alguma, trazer profundidade aos personagens, nem oferecer algo realmente relevante ao público, além de colocar o nome dessas pessoas novamente “na boca do povo”. E mesmo se você se esforçar, não consegue ver nada além de um melodrama carcerário bem mais ou menos.
