Remake brasileiro de Quarto do Pânico se perde em escolhas rasas e personagens mal construídos.
O aclamado suspense norte-americano de 2002, dirigido por David Fincher e originalmente estrelado por Jodie Foster e Kristen Stewart, com Forest Whitaker e Jared Leto, foi um sucesso que até hoje é referenciado.
E quando anunciada a versão nacional dessa história, a dúvida abraçou a desconfiança, pois é muito complicado chegar a um nível de suspense tão alto, ao mesmo tempo que a necessidade do remake existir também entra em discussão.
Mas será que houve um acerto?
A Trama Original
Na versão original, a recém-divorciada Meg Altman e sua filha Sarah mudam-se para uma residência que conta com um “quarto do pânico” — um bunker de aço e concreto projetado por um antigo proprietário milionário. Equipado com câmeras, sistema de voz e linha telefônica independente, o local se torna o único refúgio das duas quando a casa é invadida por três criminosos em busca de 3 milhões de dólares escondidos em um cofre no chão da própria sala blindada.
A Versão Brasileira
No remake nacional, a premissa ganha contornos adaptados à realidade do Brasil. A atriz Ísis Valverde assume o papel principal como uma mulher que, após presenciar a morte trágica do marido devido à violência urbana em São Paulo, decide se mudar para uma casa de luxo ultraprotegida.
Ao lado da filha pré-adolescente (interpretada por Marianna Santos), ela busca a segurança que a cidade lhe tirou. No entanto, o trauma se repete quando a residência é invadida. O trio de antagonistas desta versão conta com nomes de peso do cinema nacional de Marco Pigossi, André Ramiro e Caco Ciocler.

Nem tudo precisa de remake
Vamos começar sendo sinceros com a questão do elenco, pois as atuações infelizmente não conseguem prender o público.
Não há conexão com os personagens; todos parecem “brincar” de atuar. Até mesmo a cena inicial, que deveria causar impacto e choque, acaba passando sem força, falhando também em estabelecer uma ligação emocional com o espectador.
Ao mesmo tempo há pouca imersão na narrativa, e a abordagem dos medos, traumas e motivações dos personagens é superficial, limitando-se a alguns jump-scares que não produzem o efeito desejado.
Soma-se a isso a fragilidade dos personagens, que são previsíveis e pouco interessantes.
Como ponto positivo, ressalto a cena final de Marco Pigossi, em que o horror emocional é exemplar, e a atuação de André Ramiro, o único personagem cuja construção gera certo apego no público, por estar na casa em busca do dinheiro necessário para salvar o filho de um tratamento caro para uma doença, ainda que esse arco recaia em um clichê pouco empolgante.
Logo, o filme caminha para um desfecho previsível ainda que nada alinhado com a realidade que nós conhecemos. A cena, no entanto, constrói uma falsa sensação de segurança ao sugerir que a violência e o perigo não atravessam esses territórios, ignorando que essas regiões também fazem parte da expansão e da atuação de organizações criminosas na capital.

E vale a pena assistir?
No fim, o remake brasileiro de Quarto do Pânico até tenta dialogar com a realidade da violência urbana, mas se perde em escolhas rasas e personagens mal construídos, resultando em um suspense fraco, sem impacto emocional.
Quarto do Pânico (2026) chega ao streaming Telecine em 13 de Fevereiro.
- Veja também: Crítica de Dupla Perigosa
O remake brasileiro de Quarto do Pânico até tenta dialogar com a realidade da violência urbana, mas se perde em escolhas rasas e personagens mal construídos, resultando em um suspense fraco, sem impacto emocional.
