Obsessão constrói uma atmosfera sufocante onde o pavor nasce do real!
Curry Barker é um dos nomes do novo terror que merece, e muito, a nossa atenção! Desde seus primeiros experimentos com o gênero no Youtube, Barker tem demonstrado uma habilidade rara em manipular a expectativa do público, e em Obsessão, ele consolida seu nome como um mestre da tensão psicológica. Ao abdicar dos sustos fáceis para focar na decomposição mental de seus personagens, ele entrega um filme que incomoda não pelo que salta na tela, mas pelo que se esconde nas frestas da normalidade.
Deste modo, Obsessão constrói uma atmosfera de tensão densa e sufocante, onde o medo reside no comportamento humano! O diretor não busca apenas o sobrenatural para assustar, mas faz das feições e das entrelinhas os instrumentos a seu favor para permear uma narrativa que se apoia no desconforto de um relacionamento abusivo e no pavor do que é real. Assim, o longa nos entrega situações que farão o espectador prender a respiração, sentir o peso de cada cena e sair impactado da sessão, pois um filme de terror psicológico de alto nível foi feito!
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Bear é um jovem inseguro, porém apaixonado por Nikki, sua amiga de longa da data. Na noite em que pretende se declarar, o rapaz compra um objeto “mágico” chamado de Salgueiro do Desejo, que concede um desejo a alguém ao ser quebrado. Após não ter coragem de dizer o que sente para a garota, Bear usa o seu “desejo”, e a partir disso, sua relação com Nikki muda, se tornando namorados, com ela demonstrando o quanto o ama. Mas aos poucos os comportamentos da jovem muda de forma violenta, levando Bear a entender que seu desejo mexeu com forças não compreendidas de forma mortal.
O medo no olhar e a distorção do som
Curry Barker comanda a produção com uma precisão cirúrgica no que diz respeito ao ritmo. O fato é que o diretor se apoia inteiramente nas atuações dos protagonistas para elevar o texto; a entrega dos atores é exímia, permitindo que o medo seja lido em cada microexpressão, em cada olhar de hesitação, ou silhueta que se encontra na escuridão.
Quando as ações violentas finalmente assumem a tela, o espectador já está totalmente entregue e vulnerável, pois a base emocional já foi destruída pela tensão prévia.
Logo, um dos pontos mais interessantes é a escolha da trilha sonora. Barker decide não abraçar o estilo comum do terror, com seus crescentes óbvios, e opta por distorcer músicas sentimentais, o que torna tudo “bizarramente” mais desconexo com a realidade, mas em sintonia total com o que está acontecendo.
O uso dessas melodias, que deveriam remeter ao afeto, cria um contraste perturbador com o que vemos em cena. Somado a isso, o foco da câmera trabalha um jogo de luz e penumbra que, mesclado à presença constante da protagonista, causa um pavor onde o perigo parece espreitar em cada sombra da casa. Não há lugar seguro quando o predador divide o mesmo teto que você. E quando as próximas atitudes serão ainda mais estranhas, pra não dizer nojentas.
Barker sabe exatamente o que pretende e mergulha em uma estética que valoriza o vazio e o silêncio. Nada é solto: a iluminação baixa não serve apenas para esconder o que é feio, mas para acentuar o isolamento emocional dos personagens. E essa é a palavra: isolamento! Obsessão consegue deixar seu público desorientado ao tratar o terror como algo que nasce de dentro para fora.

O perigo da familiaridade
O desejo de Bear em relação a Nikki dá certo, porém a forma como ele se desenvolve assume nuances cada vez mais estranhas, incomuns e perturbadoras. Isso envolve animais mortos, risadas medonhas, e escatologia!
Desta forma, percebemos que o filme não quer apenas nos assustar, mas nos fazer reconhecer padrões. A abordagem sobre o relacionamento abusivo causa uma familiaridade incômoda, transformando o entretenimento em um espelho do real. Desta forma, a força da obra está em como ela utiliza a narrativa para demonstrar os dramas de uma vítima que vive à sombra de um opressor.
O texto se encarrega de estabelecer esse núcleo de forma crível, deixando o espectador à mercê de uma presença que sufoca sem precisar dizer uma palavra. Contudo, o diretor não deixa de usar o gênero para pontuar sua mensagem, utilizando o pavor visual para materializar a dor interna da personagem, que poucas vezes coloca isso para fora, nos fazendo questionar cada vez mais sua apatia em situações que mereciam total falta de controle, literalmente.
A sensação ao final é que o filme atinge seu objetivo de forma brutal. O desfecho nos deixa apreensivos e reflexivos sobre as sombras que habitam as relações humanas, provando que Curry Barker entende as possibilidades de contar boas histórias sobre as relações humanas, sejam elas nas plataformas digitais, sejam nas telas do cinema.

E vale o ingresso?
Obsessão constrói uma atmosfera de tensão densa e sufocante, onde o medo reside no comportamento humano! Ao unir atuações impecáveis a uma direção que domina o uso da luz e do som para causar pavor, o longa entrega uma experiência que vai além do susto momentâneo.
O resultado é um filme feito para quem gosta de um terror que pisa em terrenos perigosos e reais, explorando a fragilidade das relações com uma crueza impressionante. Para os que buscam uma obra que fica na mente muito depois dos créditos subirem, a sensação é de satisfação absoluta, pois um filme de terror psicológico de alto nível foi feito!
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Obsessão constrói uma atmosfera de tensão densa e sufocante, onde o medo reside no comportamento humano! Ao unir atuações impecáveis a uma direção que domina o uso da luz e do som para causar pavor, o longa entrega uma experiência que vai além do susto momentâneo.
